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Sobre vírus e o Linux

antivirus

Linux: PROTEÇÃO

Gabriel Menezes

Após muitas discussões e “conversas de boteco” sobre este assunto eu decidi absorver as principais referências sobre o assunto e deixar aqui a minha tentativa para elucidar, de uma vez por todas (por mais difícil que isso seja), este assunto, destruindo mitos, expondo a verdade, afirmando, confirmando e convencendo de uma vez por todas que o Linux (assim como todos os outros Unix e Unix-like) são sistemas extremamente seguros e confiáveis.

1- Considerações Iniciais
2- Existe vírus para Linux?
3- Mas existem antivírus para Linux…
4- Os vírus do Windows rodam no Linux? E pelo Wine?
5- Mas eu já li sobre máquinas Linux sofrendo ataques
6- Existem outros fatores que contribuem para que o Linux seja seguro?
7- Mas isso torna o sistema invulnerável?
8- E na Internet?
9- Engenharia Social? Que ameaça é essa?
10- E as aplicações multiplataforma?

X- Créditos



1- Considerações Iniciais

Versão/Revisões: 4 (28/01/2009 00:35)
Considerando o contexto “popular” deste artigo eu não vou me ater aos conceitos de “vírus, worms, trojans ou código malicioso”, tratando todos eles pela alcunha de “vírus”.
Sobre este assunto dá para escrever um livro (sim, isso é sério), portanto eu procurarei ser o mais direto possível e tratar dos questionamentos mais comuns. Este texto será constantemente atualizado, caso você ache que algum ponto ficou em aberto você pode entrar em contato comigo através do e-mail ou orkut e pedir educadamente para que o ponto seja abordado.


2- Existe vírus para Linux?

A resposta para essa pergunta é “Sim, existe…” e essa ameaça tem nome: “Rootkit”.
Mas isso quer dizer que eu posso ser infectado apenas por estar navegando pela internet (como acontece em outros sistemas)?
A resposta é “Não”. O rootkit para atuar precisa ser instalado no sistema e essa instalação precisa ser feita como root. Isso quer dizer que é quase impossível você “pegar” um rootkit acidentalmente. As poucas pessoas confiáveis que já viram algum rootkit (é difícil até encontrar alguém que já tenha se deparado com algum) sabem que o rootkit foi instalado por uma outra pessoa que tinha acesso de administrador na máquina, uma pessoa com acesso físico e senha de root, uma pessoa que estava mal intencionada.
Portanto a resposta pra essa pergunta pode ser: “Sim, existe, mas ninguém nunca viu”

Saiba mais sobre rootkits
Detectando rootkits: http://www.guiadohardware.net/dicas/detectando-rootkits.html
Sobre Vírus e Linux
vírus no Linux? http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/trabs/virus_no_linux.html
Bliss, a Linux virus (Inglês) http://math-www.uni-paderborn.de/~axel/bliss/


3- Mas existem antivírus para Linux…

Existem. ClamAV, Avast… No total são 25 listados pelo SuperDownloads.
Mas qual o real objetivo desses antivírus (AV)? Onde e em quais casos eles são usados?
Esses softwares de AV são utilizados quando existe troca de dados entre uma máquina Linux e uma máquina Windows, assim você evita que a máquina Windows seja infectada por um arquivo que estava “inofensivo” na máquina Linux.
Isso quer dizer que o antivirus no Linux serve para proteger as máquinas Windows, pois os vírus são “inofensivos e inativos” no Linux e quando são levados para a máquina Windows (através de um download na rede ou por um pendrive, por exemplo) estes acabam infectando o sistema (Windows). Para evitar que isso aconteça surgiu a necessidade de fazer o scan destes arquivos antes deles serem transportados para as máquinas Windows, assim surgiu a necessidade da existência de softwares antivirus que rodem no Linux.
Ou seja: “Eles existem, mas você não precisa deles pra usar seu Linux”


4- Os vírus do Windows rodam no Linux? E pelo Wine?

Programas de Windows são para Windows. Linux não é Windows! Vírus para Windows não são feitos para rodar em Linux, portanto não vão rodar. É tão simples como dizer “você não vai conseguir rodar um .exe (Binário/executável do Windows) no Linux”.
Já os “vírus do Windows rodando no Wine” geram muitas discussões e dúvidas.

Você pode até conseguir fazer com que o “vírus” rode no Wine, vai fazer ele executar algumas de suas funções, baixar alguns arquivos talvez, mas ele não vai funcionar da mesma forma que funcionaria no Windows, porque o Wine não é o Windows, o Wine NÃO É UM EMULADOR DE WINDOWS.
Qual a diferença?
O Windows é um sistema operacional e possui seus arquivos de configuração, sua árvore de diretórios, seus serviços do sistema e sua rotina de inicialização e é justamente em alguns (ou todos) desses pontos. Os vírus pra Windows geralmente se aproveitam de vulnerabilidades e alteram a inicialização e alguns serviços do sistema para que ele rode na inicialização, como o Wine não executa uma rotina de inicialização um vírus instalado no Wine não será executado automaticamente bem como pode não funcionar, já que o Wine não possui as vulnerabilidades do Windows (é apenas uma implementação das APIs)

Um vírus sendo executado no Wine pode acabar baixando arquivos para o $HOME do usuário, mas isso só acontece porque o Wine configura o $HOME do usuário como um link para os “Meus Documentos”  das aplicações Windows, então, na verdade, o vírus não está baixando um arquivo para seu $HOME, ele está baixando um arquivo para “Meus Documentos” que na configuração do Wine está apontando para o seu $HOME (e isso é configurável).

No caso do vírus ter sido programado pra rodar perfeitamente no wine e ser compatível com o Linux (o que é um tremendo desperdício de esforço e nem sabemos se isso é possível, sendo esta uma situação hipotética) ele dependeria de inúmeras brechas de segurança deixadas pelo usuário que levaria uma eternidade citar, mas seguem exemplos: Seria necessário que o usuário configurasse o wine para ter acesso ao /,  configurasse o / com o chmod 777 recursivo dando acesso total do usuário ao sistema ou que o wine fosse executado como root, o wine deve ter suporte às funções necessárias para executar comandos no Linux, entre muitas outras. É tão difícil de imaginar que essa opção é considerada como impossível ou inviável, como eu disse, um desperdício de esforço em algo que provavelmente não funcionaria.


5- Mas eu já li sobre máquinas Linux sofrendo ataques

Nenhum sistema é perfeito ou livre de vulnerabilidades. Mas o que acontece para uma máquina ser atacada?
Normalmente essa máquina está rodando algum serviço (como apache, ssh) mal configurado que acaba gerando alguma falha na segurança. Sem comentar que muitas pessoas mal intencionadas usam de recursos como a engenharia social para obter as senhas, convencer as pessoas a executarem comandos, executarem serviços (como iniciar o ssh), entre outras oisas. Muitas vezes o “ataque” começa no usuário e só depois parte para o sistema, principalmente se o ofensor tiver acesso físico, puder mexer na máquina livremente.


6- Existem outros fatores que contribuem para que o Linux seja seguro?

Sim, mas isso é assunto para outros artigos. Caso tenha interesse: A política de permissão dos sistemas Unix/Unix-like em geral, isso pode ser demonstrado pelo fato de praticamente não se ver notícias sobre problemas com Linux, MacOS, BSDs, Solaris, tanto que quando acontece a “mídia especializada” faz o maior alvoroço. Por outro lado, aparecem problemas a todo momento no Windows que a “mídia especializada” parece tratar como “comuns”.
Um outro fator importante é o fato do desenvolvimento se dar através do código aberto, o fato do software ser livre, mas isso, como eu disse, é assunto para outro artigo.


7- Isso torna o sistema invulnerável?

Não! De maneira alguma.
1-Nem todas as ameaças são vírus (conforme veremos adiante);
2-Como citado em 5 existem outros fatores ou programas que podem criar vulnerabilidades no sistema, entre eles estão:
- Sistema desatualizado com pacotes antigos que podem ter falhas de segurança;
- Política de segurança e acesso/permissões de usuários pouco efetivas;
- Senhas “fracas” (fáceis de adivinhar ou descobrir por força bruta ou engenharia social)
- Serviços mal configurados que podem permitir acesso remoto não autorizado (ssh, por exemplo)

Como se proteger?
Depende da necessidade. Existem muitas ameaças que vão muito além dos vírus, por isso é necessário manter o sistema atualizado, manter rodando apenas os serviços necessários e mantê-los bem configurados, evitar usar senhas fáceis, manter uma política séria de permissões e acesso de usuários, utilizar as ferramentas de segurança de acordo com a sua necessidade.

Como deixar o sistema mais seguro
Linux Security HOWTO (Principal obra em questão de segurança em sistemas Linux)
General System Security (Para sistemas baseados no RedHat)
Securing Debian Manual (Para sistemas baseados no Debian)
Hardening Linux usando controle de Acesso Mandatório (Security-Enhanced Linux SElinux)
Introdução ao SElinux


8- E na Internet?

A internet é um lugar hostil para os desavisados. Os crackers se aproveitam da distração e/ou ingenuidade dos usuários para roubarem dados pessoais. Muita atenção deve ser dada às “ameaças virtuais”, pois as citadas aqui independem do sistema operacional utilizado, porque o usuário é enganado ou convencido a enviar os dados pessoais diretamente para o criminoso.
- Phishing: Através de um site falso (que é criado como uma cópia do site verdadeiro) o usuário desavisado digita os dados pessoais e senha e estes são enviados diretamente para o criminoso.
- Scripts maliciosos: Aproveitando-se de alguma vulnerabilidade de algum site específico o cracker faz com que o usuário execute algum script (normalmente clicando em algum link desconhecido que aponta para o script) e acaba tendo acesso aos dados pessoais e/ou senha do usuário. (Esse tipo de vulnerabilidade já foi muito utilizada para roubar contas e comunidades no Orkut)
- Scam: Emails falsos que pedem informações pessoais por email alegando “recadastramento”. Empresas sérias jamais pedem informações pessoais por email.
- Engenharia Social : Uma das práticas mais desploráveis e indignas existentes.

Aprenda um pouco mais sobre segurança na Web
GoogleBlog – Security (Inglês)
Como evitar ser fisgado (Sobre Phishing)


9- Engenharia Social? Que ameaça é essa?

A engenharia social parte de um princípio simples: O elemento mais vulnerável de qualquer sistema de segurança da informação é o ser humano. É uma prática moral e socialmente condenáveis pois, em muitas vezes, consiste em obter a confiança do usuário, a ponto do usuário passar a fornecer informações pessoais, e usar essas informações para obter ganhos e vantagens.

Aprenda mais sobre Engenharia Social
Entendento e Evitando a Engenharia Social
Na Wikipedia (Inglês)


10- Aplicações Multiplataforma

EM DESENVOLVIMENTO

X- Créditos

Este texto foi escrito com a colaboração (direta ou indireta) de todos os que participaram deste tópico na Linux Brasil e:
Marcos Miklos – Revisão, sugestões e links
Rhoy – Sugestões e revisão
Bruno Yporti – Sugestões e revisão
Cesar Augusto – Sugestões e revisão

FONTE: http://comunidade-linux-brasil.info/content/view/119/1/

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