Dois aspectos do acordo em Honduras.
Inicialmente, é preciso que o acordo firmado esta semana, entre os golpistas e o presidente Zelaya, se confirme na principal questão: o retorno de Zelaya à presidência.
Confirmado este retorno, ao nosso ver, os dois arquivos disponíveis no sítio RESISTIR.INFO:
CHÁVEZ DESTACA "VICTÓRIA MORAL" DE ZELAYA eHonduras: Washington forçou um acordo lesivo
revelam os dois aspectos mais importantes do acordo:
O primeiro, a derrota da direita em nosso continente, pois novamente, um golpe na América Latina, não se consolida. O acordo assinado reconhece, inclusive, que houve um golpe, algo que os gorilas nunca reconheciam. O retorno de Zelaya será também uma vitória da ALBA.
O segundo aspecto, refere-se ao impedimento, ao menos momentaneamente, de uma Constituinte, o que sem dúvida, contraria a proposta da Resistência e representa uma vitória da oligarquia hondurenha.
Contudo, a história não está encerrada. A resistência popular, como pode ser constatado no Comunicado 32, que traduzimos abaixo, parece ter ganho um objetivo claro: a "Assembléia Nacional Constituinte" que promova "a refundação da sociedade, para que seja justa, igualitária e verdadeiramente democrática".
O futuro de Honduras dependerá de diversos fatores, sendo a força e o caráter da luta popular, desencadeada pelo golpe, será preponderante.
Aliás, talvez a organização popular alcançada pela luta contra os golpistas, tenha sido o resultado mais positivo de todo este processo, até o presente momento.
Robson Luiz Ceron
Comunicado n º 32.
A Frente Nacional da Resistência contra o golpe de Estado, diante da iminente assinatura do acordo entre a comissão representante do legítimo presidente Manuel Zelaya Rosales e representantes do regime de facto, informamos a população de Honduras e a comunidade internacional:
1. Celebramos como uma vitória popular sobre os interesses estreitos da oligarquia golpista, o retorno próximo do presidente Manuel Zelaya Rosales. Esta vitória foi obtida ao longo de 4 meses de luta e sacrifício do povo, que, apesar da selvagem repressão desencadeada pelo Estado repressivo, nas mãos da classe dominante, soube resistir e crescer em consciência e organização até converter-se em uma força social imparável.
2. A assinatura, por parte da Ditadura, do documento que afirma que "recuperar a titularidade do poder executivo ao seu status anterior a junho de 28", representa a aceitação expressa que, em Honduras, houve um golpe de Estado, que deve ser desmontado, para retornar a ordem institucional e assegurar um marco democrático em que o povo possa fazer valer o seu direito de transformar a sociedade.
3. Nós exigimos que os acordos que se assinem sejam de tramitação acelerada no Congresso. Nesse sentido, alertamos todos os nossos companheiros e companheiras, em todo o país, para fazer pressão para que isto ocorra imediatamente, como registado no documento final elaborado na mesa de negociação.
4. Reiteramos que a Assembléia Nacional Constituinte é uma aspiração inabalável do povo hondurenho e um direito inegociável, pelo que vamos continuar a lutar nas ruas, até lograr a refundação da sociedade, para que seja justa, igualitária e verdadeiramente democrática. "A 125 dias de lut, aqui nada se rende" Tegucigalpa, M.D.C., 30 de Outubro de 2009.
Original encontra-se em: FRENTE NACIONAL DE RESISTENCIA CONTRA EL GOLPE DE ESTADO.
Tradução: Robson Luiz Ceron.





