Fogo engarrafado


Os viajantes que pernoitavam no moinho se deparavam com um estranho lampião que não fazia fumaça. Com o passar das horas, depois de perdido o primeiro receio, tentavam acender o cigarro de palha. Chagavam de vagar, rodeavam o luminoso até criar coragem e encostavam a ponta do palheiro, afastando de pressa para não queimar tudo. Ao descobrir que não acendido o pito, tentavam de novo, sem sucesso. Era fogo engarrafado!

Arlindinho, que já conhecia a história, ficava observando por debaixo das pálpebras semi-abertas, como se estivesse dormindo. Sabia que o ritual se repetiria, sorrindo por dentro de não mais aguentar, acompanhava a descoberta do novato. Era assim que a novidade da energia elétrica gerada pela roda d’água do moinho se revelava aos viajantes que passavam a noite no moinho. Pela localização na curva do Rio da Várzea, na divisa entre Liberato Salzano e Rodeio Bonito, pelo meio de transporte animal e pelo distância dos locais de moradia de alguns camponeses era impossível voltar para casa no mesmo dia.

(histórias de meu avô Arlindo)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s