HONDURAS: Resolução do Encontro da Esquerda de Honduras


Setembro 2008

Por nossa segunda independência

Condenamos a subserviência das oligarquias com o império gringo

Há 187 anos, nossos heróis lutaram e conquistaram a nossa independência da Espanha. Porém, esta proeza não se converteu numa Libertação Nacional para o povo centro-americano, porque deixou intactas as estruturas econômicas, sociais e políticas da oligarquia local, responsável, junto ao imperialismo inglês, pela posterior desunião da América Central.

Hoje em dia, os herdeiros dessa mesma oligarquia corrupta, parasitária e exploradora são os que detêm o poder e mantêm nosso povo em condições degradantes e desumanas de miséria e dominação, aplicando um capitalismo neoliberal que converte em mercadorias o ser humano, os recursos naturais, os serviços públicos e inclusive a política, violando os direitos humanos mais elementares de hondurenhos e hondurenhas.

Seguindo o caminho dos nossos heróis nacionais Lempira, Morazán, Cabañas, Valle, Herrera, assim como o pensamento e ação de latino-americanistas como Bolívar, San Martín, Artigas, Sucre e Martí, precursores do antiimperialismo, nós, as organizações que subscrevemos este comunicado, marcamos presença na data comemorativa da nossa independência da Espanha para manifestar ao Povo Hondurenho e aos demais povos do mundo o nosso compromisso de continuar lutando por uma Segunda e verdadeira Independência pátria, que suponha a Libertação Nacional das ataduras que submetem o nosso país à dominação do Império dos Estados Unidos e dos atuais oligarcas, que se opõem ao mínimo progresso social das classes
despossuídas e a qualquer transformação que não resulte em seu próprio benefício.

Neste 15 de setembro, a América Latina e Honduras atravessam uma conjuntura caracterizada pelo seguinte:

1.     Povos latino-americanos como Bolívia, Venezuela, Nicarágua, têm desafiado a potência imperial, defendendo seus recursos naturais e investindo as riquezas que estes geram em serviços para os seus povos. Estes países, junto à irmã República de Cuba, formaram a Alternativa Bolivariana das Américas (ALBA), como um projeto latino-americano oposto ao dos Estados Unidos de pilhagem e exploração dos nossos recursos, denominado ALCA-TLC, o qual é apoiado pela classe dominante servil e lacaia, entranhada no tradicionalismo político e nas organizações de cúpula da grande empresa privada.

2.     O Estado de Honduras, por decisão do governo do Presidente Manuel Zelaya Rosales, aderiu à ALBA, comprometendo-se para que seus recursos beneficiem os setores sociais mais pobres do campo e da cidade, através da aplicação de projetos sociais e econômicos em termos de produção, moradia, educação, saúde, obras públicas e energia; decisão que apoiamos na medida em que esses recursos sejam investidos pelo Estado no setor social da economia para beneficiar diretamente o Povo Hondurenho.

3.     Os herdeiros dos que fuzilaram Morazán, e que continuam opondo-se à unidade dos povos latino-americanos frente à potência imperial, são os que se opõem para que o Povo seja beneficiado pelos projetos unitários e integracionistas do continente, como a ALBA e a UNASUR. Também se opõem à solidariedade que deve haver entre os povos e governos legitimamente eleitos, dizendo que é “suar a febre alheia”, como a Bolívia, hoje ameaçada por um processo de Golpe de Estado, no qual participa o Departamento de Estado dos Estados Unidos, cujo Embaixador foi merecidamente expulso desse país.

4.     Neste sentido, respaldamos a decisão do governo do Presidente Zelaya de atrasar a entrega de credenciais ao novo Embaixador gringo, em demonstração de solidariedade ao Povo e ao governo da Bolívia, e além do mais, reivindicamos que avance para a revogação dos Tratados Militares estabelecidos entre Honduras e os Estados Unidos, assim como a expulsão e não instalação de bases militares norte-americanas em qualquer parte do território hondurenho.

5.      Condenamos a hipocrisia e o cinismo dos grandes empresários e seus porta-vozes políticos, que hoje dizem estar defendendo os migrantes hondurenhos de uma provável represália do governo gringo ante a adesão de Honduras à ALBA. Estes mesmos setores são os que os expulsaram do país com suas políticas de livre comércio, quebraram a produção nacional e nos converteram em consumidores dependentes das mercadorias estrangeiras. São os mesmos que paralisaram e revogaram a reforma agrária, privando os camponeses do acesso à terra, atentando contra a soberania alimentar, e com isso, obrigando-os a emigrar
para o estrangeiro.

6.    Fazemos um chamado às organizações operárias, camponesas, aos professores e estudantes e ao Povo hondurenho em geral a reivindicar nesta conjuntura:

• a aprovação sem demoras da ALBA, por parte do Congresso Nacional;
• o investimento dos recursos da ALBA para impulsionar um forte setor social da   economia;
• que todos os combustíveis sejam adquiridos através da PETROCARIBE, excluindo as   transnacionais da cadeia de armazenamento, transporte e distribuição, e que os   recursos financeiros originados nessa operação se destinem à nacionalização da   energia elétrica e às telecomunicações, assim como à gradativa nacionalização dos  setores estratégicos da economia.

7.    Finalmente, lutemos pela unidade dos Povos da América Central, o que é distinto da fusão de capitais que praticam a oligarquia e o império.

Tegucigalpa, M.D.C. setembro de 2008
BLOCO POPULAR
Encontro da Esquerda de Honduras

FONTE: http://www.pcb.org.br/honduras.pdf

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