Lênin, capitalismo e agricultura nos EUA


O texto de Lênin Capitalismo e Agricultura nos Estados Unidos da América: novos dados sobre as leis de desenvolvimento do capitalismo na agricultura, foi escrito em 1915, mas a obra somente seria publicada em 1917, em Petrogrado, pelas Edições Jizn i Znanié.

Trata-se de análise pormenorizada do desenvolvimento capitalista nos Estados Unidos, com foco nas relações agrárias, a partir de estudo realizado sobre os dados estatísticos fornecidos pelos censos agrícolas de 1900 e 1910 naquele país a que Lênin considerava ser “a vanguarda do capitalismo moderno“.

A análise do avanço capitalista sobre as estruturas agrárias da nação que assumia, naquele contexto histórico, posição de cada vez maior destaque no cenário econômico e geopolítico internacional, por um lado, era uma forma de compreender mais a fundo o processo de desenvolvimento do sistema capitalista como um todo, em sua fase monopolista e imperialista.

Por outro lado, fazia parte das preocupações de Lênin formular a estratégia revolucionária dos bolcheviques na Rússia através do entendimento pleno da estrutura agrária em seu país, ainda fortemente marcado pela sobrevivência de formações feudais e semifeudais.

A comparação com processos históricos outros, nos quais já eram plenas as relações capitalistas, como os Estados Unidos e, também, a Alemanha, servia de parâmetro para a análise científica da realidade russa e para a definição mais precisa das estratégias de luta a serem adotadas. Tanto é que, no “Programa Agrário da Social-Democracia na Primeira Revolução Russa de 1905-1907”, que objetivava centralmente avaliar as bases econômicas e a essência da revolução agrária na Rússia, Lênin já havia apresentado sua tese acerca dos dois tipos de evolução agrária burguesa: a “via americana” e a “via prussiana”.

Segundo o genial líder bolchevique, o desenvolvimento do capitalismo pode se dar tendo à frente as grandes propriedades dos latifundiários, “que paulatinamente se tornarão cada vez mais burguesas, que paulatinamente substituirão os métodos feudais de exploração pelos métodos burgueses”. Esta seria a “via prussiana”, modelo de passagem para o capitalismo que tomou por base a experiência histórica da Alemanha. Ou ainda, tal transição pode verificar-se tendo à frente as pequenas explorações camponesas, que, por “via revolucionária” (ou seja, pela destruição radical das estruturas passadas), conduzem o processo no livre desenvolvimento das relações capitalistas no campo.

Este seria o caso do processo histórico vivenciado pelos Estados Unidos, visto por Lênin como modelo “democrático” de revolução agrária – a “via americana” – por causa da formação dos homesteads, as glebas de terras públicas distribuídas gratuitamente ou a baixos preços que serviram de base para a expansão, ao longo do século XIX, do campesinato estadunidense nos territórios a Oeste, cujas pequenas e médias propriedades abasteceram de matérias primas as indústrias nortistas, contribuindo largamente para a consolidação do capitalismo.

Em que pese a “via prussiana” ter mais a ver com o desenvolvimento do capitalismo na Rússia, o estudo concreto da “via americana”, presente na obra de Lênin Capitalismo e Agricultura nos Estados Unidos da América, fazia parte do interesse do grande intelectual e revolucionário em desvendar as diferentes possibilidades históricas de evolução do sistema, inclusive no interior mesmo dos Estados Unidos, por meio da análise da situação peculiar das estruturas econômicas de cada uma de suas regiões.

O texto que a HP do PCB ora apresenta aos militantes e amigos, de grande importância, portanto, para o estudo do capitalismo contemporâneo, servindo de igual forma como contribuição teórica das mais significativas para o entendimento da formação histórica da sociedade brasileira e da consolidação do modo de produção capitalista em nosso país, foi editado pela primeira vez no Brasil em 1980, pela Coleção Alicerces da Editora Brasil Debates.

A tradução, a partir da versão francesa confrontada com a versão espanhola, foi feita por Maria Beatriz Miranda Lima. A obra é apresentada por Wladimir Pomar, que aproveitava, então, para provocar debate sobre a permanência ou não de formações semifeudais na estrutura agrária brasileira.

Um debate que teve seu lugar na nossa esquerda, mas, certamente, encontra-se bastante datado neste princípio de século XXI, pelo menos para nós, comunistas do PCB, que já ultrapassamos a visão etapista da revolução brasileira, cujo caráter é definido claramente como socialista e não mais como democrático burguês.

De qualquer forma, esta obra de Lênin, como todas as outras, torna-se leitura necessária aos comunistas, nesta hora em que o estudo profundo da teoria marxista e leninista é condição primordial para a transformação de todos nós, membros do PCB, em ativos militantes da causa revolucionária em noss país.

Ricardo Costa (Rico) – Secretário Nacional de Formação Política do PCB

FONTE: http://www.pcb.org.br/lenin.htm

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