Apoio à luta pela independência de Guadalupe


Havana – O secretário geral do Partido Comunista de Guadalupe (PCG), Felix Alain Flémin, solicitou, em 21 de maio, solidariedade internacional à luta do povo das ilhas caribenhas sob dominação colonial da França, em favor da independência e da autodeterminação.

“Somos uma nação que a França não reconhece o direito à autodeterminação. Buscamos apoio internacional para que as ilhas voltem à lista de territórios coloniais das Nações Unidas”, afirmou Flémin durante uma visita à sede da Organização de Solidariedade dos Povos da África, Ásia e América Latina (OSPAAAL).

Guadalupe, pequeno arquipélago das Antilhas, no Mar do Caribe, situado a uns 600 km das costas da América do Sul e ao sudoeste da República Dominicana, foi ocupada por tropas francesas em 1635 em meio a uma guerra de extermínio contra sua população autóctone, os índios Caribe.

Em 1947 o governo francês conseguiu fazer com que Guadalupe saísse da lista de territórios não autônomos (coloniais) elaborada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, e a converteu em departamento de ultramar da República Francesa.

“A França que convencer o mundo de que Guadalupe não é uma colônia, senão um estado francês. Nosso povo nunca foi consultado sobre seu status político e, portanto, não tem conseguido exercer seu direito à autodeterminação”, ressaltou Flémin diante de um grande grupo de representantes de organismos e partidos políticos presentes em Cuba.

Flémin denunciou que, diante do crescente auge de sentimento nacionalista da população, que se rebela contra a “insuportável exploração econômica” à que está sendo submetida, a França tenta substituir a população atual por franceses, para assegurar seu domínio permanente sobre o território.

Ele explicou que a infra-estrutura de Guadalupe é a de um país desenvolvido, moderno, mas o país está controlado pela França e seus habitantes não desfrutam das mesmas prerrogativas de que gozam os franceses. “Como parte dessa estratégia de assimilação os franceses estão adquirindo grandes extensões de terras e outras propriedades importantes”, apontou.

“Lutamos contra essa brutal política de assimilação. Dizem-nos: vocês não existem como guadalupenhos, existem como franceses. Tratam de atemorizar o povo dizendo que ele perderá os pequenos ou supostos privilégios que lhes dá o sistema colonial”, precisou o dirigente, que assumiu a direção do PCG em fevereiro de 2008.

O secretário destacou os protestos que estremeceram o poder colonial em Guadalupe e Martinica – ilha vizinha dominada também pela França -, já que mesmo tendo sido motivados, fundamentalmente, por reivindicações econômicas, podem contribuir à causa da independência na conjuntura atual.

Ele denunciou que a situação na ilha ainda é tensa. As autoridades francesas desconheceram os acordos alcançados com representantes dos sindicatos e outras organizações que participaram nas mobilizações. Ressurgem as greves e os protestos, ainda que isolados, em vários pontos do território.

“Não podemos afirmar que existe uma situação pré-revolucionária. Tratamos de conscientizar da necessidade de lutar pela autonomia, uma etapa prévia à independência. Que as pessoas entendam que não devem esperar nenhuma mudança positiva se for mantido o status colonial atual”, explicou o dirigente.

Flémin, que viajou a Cuba acompanhado pelo secretário de Relações Internacionais do PCG, foi recebido na sede da OSPAAAL pelo secretário geral desta organização, Alfonso Fraga, e por Lourdes Cervantes, chefe do Departamento Político da OSPAAAL.

Tanto Fraga como Cervantes destacaram os históricos vínculos da OSPAAAL com os povos do Caribe e reiteraram sua incondicional ajuda e solidariedade à independência e autodeterminação de Guadalupe e de outros territórios da região.

“Há ainda muita luta política para se fazer”, insistiu Cervantes.

“Estamos compromissados em contribuir com o processo de descolonização total no Caribe, e essa determinação foi incluída em uma declaração da organização em razão dos recentes protestos que ocorreram em Guadalupe e Martinica”, enfatizou.

Fonte: Tribuna Popular.

(tradução Roberta Moratori)

FONTE: http://www.pcb.org.br/guadalupe.htm

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