Peru: repressão governamental mata pelo menos 25 indígenas na região amazônica


Um dos indígenas baleados

A versão que ofereceram os moradores da região de Bagua e as organizações indígenas é contrária a que ofereceram as autoridades do governo de Alan García. Alguns meios de comunicação peruanos ocultam o fato do falecimento de pelo menos vinte manifestantes.

Chevige González Marcó (com informação de Radio La Voz de la Selva), 5 de Jun de 2009. 11:59 am

Na madrugada desta sexta 5 de junho, um helicóptero das forças policiais peruanas atacou uma concentração de pessoas que há mais de 55 dias lutam contra os decretos aprovados pelo governo de Alan García Pérez para ajustar-se ao Tratado de Livre Comércio com Estados Unidos.

Como conseqüência da repressão governamental, pelo menos quatro indígenas foram mortos, logo que se iniciara a violência na povoado de Baguas, especificamente na localidade conhecida como La Curva del Diablo, região Amazonas do Peru.

O Colégio Médico de Chachapoyas, na região onde ocorreram os fatos, assinalou que a cifra de nativos falecidos cresceu para 25. O governo peruano também confirmou o falecimento de 9 policiais. Alguns meios noticiaram que a cifra de indígenas mortos ultrapassava 32, outros incluem dois jornalistas entre a lista de falecidos.

Região Amazonas do Peru

Segundo divulga a rádio alternativa La Voz de la Selva, o ataque iniciado pelo helicóptero da polícia prosseguiu com ações terrestres, o que gerou violentos enfrentamentos, nos que também havia falecido um efetivo policial.

De acordo com um reporte da Coordinadora Nacional de Radio de Perú, logo após o fatos violentos ocorridos na madrugada, os moradores de Bagua incendiaram a sede do governo, a sede do Partido Aprista e de outras organizações vinculadas ao governo. Também se informa sobre ataques contra a estação da cidade amazónica.

Os povos indígenas reclamam a revogação das leis apresentadas pelo executivo e que segundo eles fragilizam a soberania peruana e os direitos dos povos da amazônia. No Congressso peruano, a bancada do governo e seus aliados têm retardado a possibilidade de dar marcha atrás com os decretos.

É por isso que, após saber da suspensão do debate da revogação do Decreto Legislativo 1090, o presidente da Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana (AIDESEP) Alberto Pizango, anunciou que realizará uma mobilização nacional no próximo 11 de junho pela retomada do postergado debate.

A mobilização terá o apoio de diversas organizações sociais como a Confederación Nacional de Trabajadores del Perú (CGTP), a Confederación Nacional Agraria (CNA), a Confederación Nacional de Comunidades del Perú Afectadas por a Minería (CONACAMI), a confederação Campesina do Perú, entre outras.

Antes de tomar conhecimento das primeiras informações sobre os fatos de violência na amazônia, o presidente Alan García Pérez responsabilizava as organizações e movimentos sociais dos povos indígenas pelos fatos. García assinalou especialmente a Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana (Adeisep).

Na semana passada, uma imensa manifestação liderada pela Central General de Trabajadores de Perú, percorreu Lima para exigir que o governo pare sua política de criminalizar dos movimento popular e sindical. Contra o principal lider de Aidesep, Alberto Pizango, se iniciou há algumas semanas um processo judicial de carater político.

De última hora se pode verificar, segundo repórteres da Coordinadora Nacional de Radio, que Alberto Pizango, Presidente da Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva (AIDESEP), poderia solicitar asilo político. Entre os países cogitados para pedir o asilo político se encontram Bolívia, Venezuela e Equador.

YVKE Mundial entrou em contato com o jornalista Rubén Meza da rádio La Voz de la Selva, o qual denunciou que a maioria dos meios de comunicação da região amazônica têm ocultado a realidade sobre os fatos ocorridos na madrugada desta sexta.

Podemos constatar em investigação realizada pelos meios eletrônicos peruanos, que alguns inclusive apresentam a informação de outra forma e não mencionam a morte de manifestantes. É o caso do portal Peru21.com, que expressa que foram quatro os policiais mortos por ataques dos indígenas (http://peru21.pe/noticia/296477/policia-muerto-enfrentamiento-nativos-bagua)

Na Radio Programas de Perú também se ratifica que foram quatro os policiais mortos durante a repressão aos protestos indígenas (http://www.rpp.com.pe/2009-06-05-cuatro-policias-muertos-tras-enfrentamientos-con-nativos-en-bagua-noticia_186034.html)

Em ambos os casos é de fazer notar que a fonte principal dos meios, para  informar as mortes de efetivos policiais e ocultar o falecimento de indígenas, é o diretor da Policia Nacional do Peru.

No áudio adjunto pode escutar-se o relato do jornalista Rubén Meza da rádio La Voz de la Selva, desde Iquitos, Peru.

Assista o vídeo: http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?25891

Tradução: Dario da Silva

FONTE: http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?25891

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