Ocupação da Petrobras: luta é por todos os trabalhadores brasileiros


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Desde 20 de outubro o Edifício Torre Almirante (Edita), da Petrobras, no Rio de Janeiro, está ocupado por petroleiros. Nessas últimas duas semanas, seu “lar” é a sala onde acontecem as negociações em torno do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT/2009), no 15º andar do prédio. E o PCB, que tem entre suas prioridades a luta pela reestatização da Petrobras, se faz presente através do camarada Wladimir Mutt.

Acima de quaisquer reivindicações corporativas, e aqui é imperativo afirmar que estas são por demais legítimas, o comportamento aguerrido desses companheiros é por todos os trabalhadores brasileiros, tanto que as bandeiras por eles levantadas se inserem nos mais fortes ensejos de que a Petrobrás seja de fato uma empresa a serviço das necessidades do povo! Não é à toa que, na pauta apresentada à sociedade e direção da empresa, defendem: “Por uma Petrobrás 100% estatal e pública, com a volta do monopólio estatal do petróleo”.

Além de Mutt, que irá perder a formatura da filha no curso de jornalismo devido à ocupação, estão presentes os petroleiros Emanuel Cancella, Roberto Ribeiro, Fabíola Monica e Flavio Azevedo. Segundo o militante comunista, as dificuldades são enormes e a direção da Petrobras chega ao limite da intransigência para tornar o dia-a-dia o mais complicado possível.

Os sindicalistas estão improvisando o banho, com ducha higiênica, já que estão impedidos de usar os chuveiros. A alimentação fornecida pela empresa é precária. O sono é no carpete do chão, já que a empresa proibiu a entrada de colchonetes.

Além disso, há o clima policialesco: Mutt e seus companheiros estão sendo filmados e monitorados pela Segurança Interna da Petrobras, os ocupantes podem passar pela catraca do edifício, a entrada de advogados e parlamentares ocorre sob violenta truculência dos seguranças do Edita.

Desde o edifício ocupado, o camarada Mutt nos concedeu a seguinte entrevista:

– A empresa proibiu a entrada de novos lutadores no prédio, numa tentativa de enfraquecer a “moral” dos ocupantes. Por que não tem a mesma disposição para sentar à mesa e negociar com a categoria?
A direção da Petrobras não está preocupada com seu principal patrimônio, que são os funcionários que criaram esta grande empresa e que, com seu trabalho, dão ano após ano lucros cada vez maiores. E o pior é que esse lucro nem serve para beneficiar o povo brasileiro, mas acionistas. Alguns chamam nossa luta de intransigente. Intransigência é não negociar, intransigência é nos vigiar através de câmeras, uma total falta de respeito conosco!

– Entre as propostas apresentadas por vocês está a bandeira de uma Petrobras 100% estatal. Será por isso que a imprensa vem ignorando a manifestação, para não dar voz a esse debate?
Pode ser mais um fator. Não esperaria que a imprensa defendesse essa bandeira, mas ela poderia ao menos transmitir o que pensamos e defendemos. Agora, fizemos questão de colocar esse item em nossa pauta de reivindicações porque isso seria um grande avanço. Aliás, é importante frisar que essa bandeira foi levantada pelo Partidão, pelo PCB.

– Como a categoria recebeu a notícia da ocupação nas bases? Há manifestações de solidariedade? E o comportamento da FUP nesse momento?
Chegam mensagens de solidariedade de vários colegas, de vários locais. Isso dá mais ânimo, faz com que a gente veja que a categoria pode ser mobilizada. É importante que todos percebam que essa é uma luta de todos, é algo que vai além de uma campanha salarial, estamos aqui porque somos contra as punições da última greve, porque queremos uma assistência médica melhor e para todos, porque somos contra essa vergonha da remuneração variável. Estamos aqui pelos que já trabalharam na Petrobras e pelos que ainda vão entrar. Enfim, por todos os trabalhadores. Sobre a FUP, e também é preciso citar a Petros, estão numa posição muito equivocada. Escolheram o lado errado, o lado mais fácil, que é submeter os interesses dos trabalhadores à direção da empresa, aos acionistas, ao grande capital.

Abaixo, as bandeiras do movimento:

– Greve nacional da categoria, inclusive nas unidades que não são ligadas à Frente Nacionais dos Petroleiros (FNP);
– Por uma Petrobrás 100% estatal e pública, com a volta do monopólio estatal do petróleo;
– Isonomia entre ativos e aposentados;
– Cancelamento das punições da última greve, realizada no primeiro semestre desse ano em função da Participação nos Lucros da Empresa (PLR);
– Retorno de todos os demitidos do Sistema Petrobrás (Petrobrás, Interbras, Petromisa, Petroflex, Nitriflex);
– Fim da remuneração variável (por uma política de reajustes reais, incluindo o pessoal da ativa e os aposentados);
– Melhorias na Assistência Multidisciplinar de Saúde (MAS);
– Dobradinha extra-turno;
– Pelo atendimento da pauta de reivindicações apresentada pelos trabalhadores petroleiros.

O Edifício Torre Almirante (Edita) fica na Av Almirante Barroso, 81, Centro do Rio de Janeiro.

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