Os anos de Lenine e Estaline. Um primeiro balanço


Os anos de Lenine e Estaline

Um primeiro balanço

Domenico Losurdo
Domenico Losurdo

Publicamos hoje um excerto do livro Fuga da História? de Domenico Losurdo, editado pela Cooperativa Cultural Alentejana, com o patrocínio de odiario.info.

Esta obra pode ser enviado pelo correio, bastando para isso fazer o pedido para catarinaalmeida3, indicando o número de exemplares.

Domenico Losurdo* – 11.12.09

1. Guerra total e «totalitarismo»

Não se pode isolar a história da União Soviética do seu contexto internacional. Bem mais que para a tradição asiática às suas costas, o terror primeiro leniniano e depois estaliniano remete para o totalitarismo que se começa a difundir a nível mundial, a partir do eclodir da Segunda guerra dos Trinta Anos, quando o Estado vê atribuírem-lhe, mesmo nos países liberais, «uma força «legítima» sobre a vida, a morte e a liberdade» (Weber). Estão aí para o demonstrar a mobilização total, os tribunais militares, os pelotões de execução, as dizimações. É conveniente reflectir em particular sobre esta última prática a que faz amplo recurso o estado-maior da Itália liberal e que cancela o princípio da responsabilidade individual. Instrutivo é o que se verifica nos EUA. A seguir a Pearl Harbor, F. D. Roosevelt manda deportar para campos de concentração os cidadãos americanos de origem japonesa (incluindo mulheres e crianças), e não em consequência de um delito, mas simplesmente enquanto suspeitos devido ao grupo étnico de pertença (assistimos de novo à anulação do princípio da responsabilidade individual, anulação que é um dos elementos constitutivos do totalitarismo). Ainda em 1950 é aprovado o McCarran Act para a construção de seis campos de concentração em várias zonas do país, destinados a receber prisioneiros políticos. Entre os promotores desta lei há alguns deputados destinados a tornar-se ilustres como presidentes dos Estados Unidos: Kennedy, Nixon e Johnson! Até o fenómeno da personalização do poder pode ser examinado numa perspectiva comparatista. Ascendendo à presidência com a grande crise e logo investido de amplíssimos poderes, F. D. Roosevelt foi assim eleito por quatro mandatos consecutivos (embora tenha morrido no início do quarto).

Nascido no decorrer de uma guerra que implica a total mobilização e arregimentação da população mesmo nos países de consolidada tradição liberal e para mais com uma colocação geográfica de relativa segurança (protegidos como são pelo mar ou pelo Oceano), o regime soviético é obrigado a enfrentar uma permanente situação de excepção. Se examinarmos o período que vai de Outubro de 1917 a 1953 (ano da morte de Estaline), vemos que é caracterizado por, pelo menos, 4 ou 5 guerras e por duas revoluções. A Oeste, à agressão pela Alemanha de Guilherme II (até à paz de Brest-Litovsk) seguem-se as desencadeadas primeiro pela Entente e depois pela Alemanha hitleriana, e por fim uma guerra-fria marcada por conflitos locais e que corre a cada momento o risco de se transformar numa guerra quente não só de grandes proporções mas implicando o emprego da arma atómica. A Leste, vemos o Japão (que só em 1922 se retirou da Sibéria e só em 1925 de Sakhalin), proceder, por meio da invasão da Manchúria, a uma ameaçadora movimentação militar nas fronteiras da URSS, a qual está porém empenhada em recontros fronteiriços em larga escala já em 1938 e 1939, antes ainda do início oficial do segundo conflito mundial. Ainda por cima, as que foram aqui referidas são guerras totais, quer por não serem antecedidas de uma declaração de guerra (disso tanto se abstiveram a Entente como o Terceiro Reich), quer por serem inspiradas pela declarada intenção dos invasores de derrubar o regime existente: a campanha hitleriana também tem em vista o extermínio dos Untermenschen orientais. E às guerras temos de acrescentar as revoluções, ou seja, além da de Outubro, a revolução a partir de cima que é a colectivização e a industrialização dos campos desenvolvidas a partir de 1929. A ditadura de Lenine e a de Estaline, com características diferentes, correspondem no essencial às condições da guerra total e do estado permanente de excepção que se verifica na União Soviética (ou seja, num país atrasado e sem uma tradição liberal atrás de si).

2. Gulags e emancipação na época de Estaline

Até agora, temos falado pouco ou nada dos desenvolvimentos internos ao país que resultou do Outubro bolchevique. Temos de dizer desde já que, mesmo no que respeita ao período estaliniano, o terror é só uma face da moeda. A outra pode sintetizar-se com alguns números e dados obtidos de autores insuspeitos: «o quinto plano quinquenal para a instrução representa um esforço organizado para combater o analfabetismo»; ulteriores iniciativas no âmbito escolar desenvolvem «toda uma nova geração de operários especializados e técnicos e administradores tecnicamente preparados». Entre 1927-28 e 1932-33, a população da Universidade e dos Institutos superiores sobe de 160 000 para 470 000 unidades; a percentagem dos estudantes de origem operária de um quarto sobe para metade. «São fundadas novas cidades, e velhas cidades são reconstruídas»; o surgir de novos gigantescos complexos industriais vai a par e passo com uma grande mobilidade vertical que vê «a ascensão aos níveis superiores da escala social de cidadãos hábeis e ambiciosos de origem operária ou camponesa». Nestes anos, em consequência da própria repressão feroz e em larga escala, «dezenas de milhares de stakhanovistas tornaram-se directores de oficina» e uma análoga mobilidade vertical gigantesca se verifica nas forças armadas16. Não se compreende nada do período estaliniano se não se tiver em conta a mistura nele presente de barbárie (um enorme gulag) e de promoção social em larga escala.

3. Uma história de que só nos devemos envergonhar?

As vicissitudes da gestão do poder por obra de Lenine e de Estaline não são um capítulo de história de que os comunistas devam só envergonhar-se, como pretendem os defensores de um fantasmático (e antimarxista) «retorno a Marx». O significado epocal da revolução de Outubro e da viragem operada por Lenine foi assim sintetizado, em 1924, por Estaline:

«Primeiro, a questão nacional costumava reduzir-se a um grupo restrito de problemas que diziam respeito, sobretudo, às nações «civilizadas». Irlandeses, húngaros, polacos, finlandeses, sérvios e algumas outras nacionalidades da Europa: era este o grupo de povos, privados da igualdade direitos, de cuja sorte se interessavam os heróis da II Internacional. Dezenas e centenas de milhões de homens pertencentes aos povos da Ásia e da África, que sofriam o jugo nacional nas suas formas mais brutais e mais ferozes, habitualmente nunca eram tidos em consideração. Não se decidiam a pôr no mesmo plano brancos e negros, «civilizados» e «não civilizados» […] O leninismo desmascarou esta disparidade escandalosa; abateu a barreira que separava brancos e negros, europeus e asiáticos, escravos do imperialismo «civilizados» e «não civilizados», ligando, deste modo, o problema nacional ao problema das colónias».

Só palavras? Assim pode argumentar um droguista provinciano e tacanho ou um manager capitalista de vistas curtas, propenso a considerar teoria insignificante tudo o que não produza lucro imediato. Em caso algum pode argumentar deste modo um comunista que deveria ter aprendido com Lenine a decisiva importância da teoria para se constituir um movimento de emancipação e deveria ter aprendido com Marx que, penetrando entre as massas, uma teoria se transforma numa força material de primeiro plano. E com efeito assim foi.

Mesmo nos anos mais sombrios do estalinismo, o movimento comunista internacional desempenhou um papel progressivo, e não só nas colónias mas também nos países capitalistas avançados. Vejamos primeiro o que se passa no Terceiro Reich. O filólogo judeu Viktor Klemperer descreveu em termos impressionantes os insultos e as humilhações que implicava envergar a estrela de David. Contudo:

«Um carregador com quem simpatizei desde as duas primeiras mudanças de repente planta-se à minha frente na Freiberger Strasse, aperta-me entre as suas grossas manápulas e murmura, mas de modo que o oiçam também do outro lado da rua: “Então, professor, não se deixe espezinhar! Já falta pouco para acabarem os malditos irmãos!”».

O filólogo judeu comenta com afectuosa ironia que a desafiar assim o regime são «boa gente que já à légua cheira a comunista»!

Passemos da Alemanha aos EUA. À presidência do país ascendeu Franklin Delano Roosevelt. Mas no Sul continua a política de segregação e de linchamento contra os negros. A lutar contra ela são os comunistas, os quais não é por acaso que são rotulados pela ideologia dominante como «estrangeiros» e «amantes dos negros» (nigger lovers). Um historiador americano descreve a coragem de que, mesmo nos EUA, os comunistas são obrigados a dar provas: «O seu desafio ao racismo e ao status quo provoca uma vaga de repressão que se seria levado a considerar impensável num país democrático»; sim, ser comunista significa «enfrentar a eventualidade do cárcere, da agressão, do rapto e inclusivamente da morte».

E portanto a lutar, em dois países entre si profundamente diferentes, contra a barbárie anti-semita e anticamita (antinegra) são comunistas que, com simpatia ou com esperança, – podemos acrescentar – estão de olhos postos na URSS de Estaline.

4. Churchill, Franklin Delano Roosevelt e Estaline

Mas examinemos agora a ideologia do ditador em pessoa e comparemo-la não com a de Hitler – comparação tão absurda, deixemo-la aos anticomunistas de profissão – mas sim com a ideologia de outros dois leaders da coligação antifascista. Há anos um autorizado jornal inglês revelou a presença em Churchill da ideia, largamente difundida na cultura reaccionária dos fins do século XIX, da esterilização forçada dos vagabundos, ociosos e criminosos, dos bárbaros propriamente incapazes de ascender ao nível da civilização.

Esta tradição de pensamento continua a fazer-se sentir também em Franklin Delano Roosevelt. Depois de ter declarado, em Yalta, que se sentia «mais que nunca sedento de sangue em relação aos alemães» pelas atrocidades por eles cometidas, o presidente EUA acaricia pelo menos durante algum tempo um projecto bastante radical:

«Devemos ser duros com a Alemanha e com isto entendo o povo alemão, não só os nazis. Devemos castrar o povo alemão ou tratá-lo de modo que já não possa mesmo continuar a reproduzir gente que queira comportar-se como no passado».

Apesar das perdas e sofrimentos sem nome provocados pela agressão hitleriana, Estaline não está de modo nenhum inclinado para a raciszação em bloco dos alemães. Em Agosto de 1942, declara:

«Seria ridículo identificar a clique hitleriana com o povo alemão, com o Estado alemão. As experiências da história demonstram que os Hitler surgem e passam, mas que o povo alemão, o Estado alemão fica. A força do Exército Vermelho reside no facto que ele não nutre nem pode nutrir nenhum ódio racial contra outros povos, nem mesmo contra o povo alemão».

Também neste caso se pode tentar diminuir a teoria, mas uma coisa é certa: apesar da barbaridade e dos horrores desses anos, em Estaline a teoria marxista continua ainda a revelar-se superior à professada pelos expoentes de maior autoridade do mundo burguês.

5. Dois capítulos de história das classes subalternas e dos povos oprimidos

Aos comunistas que se acomodam à demonização de Estaline imposta pela ideologia dominante gostaríamos de sugerir uma reflexão. Eles reclamam-se às vezes de Espártaco. Os historiadores referem que, para vingar e honrar a morte do companheiro Crisso, Espártaco «sacrifica trezentos prisioneiros» romanos; os outros, mata-os na véspera da batalha. Ainda mais atroz é o comportamento dos escravos insurrectos na Sicília alguns decénios antes: pelo que refere Diodoro Sículo, irrompendo nas casas dos senhores, violentam as mulheres e fazem «uma grande matança, sem pouparem sequer os lactentes». Não são decerto estes os comportamentos que os comunistas italianos têm intenção de reivindicar quando, nas festas de Liberazione, ou no órgão do Partido da Refundação Comunista, agitam a imagem de Espártaco. Recusam-se no entanto a pô-lo no mesmo plano que Crasso que, depois de ter imposto uma disciplina de ferro no exército romano por meio do recurso a dizimações em larga escala, consegue derrotar os insurrectos e depois manda crucificar na via Ápia quatro mil prisioneiros. De um lado está Crasso, o homem mais rico de Roma empenhado em eternizar a instituição da escravatura e em negar dignidade aos «instrumentos falantes da terra»; do outro está um destes instrumentos falantes que consegue exprimir e organizar o protesto dos seus companheiros de trabalho e de sofrimento e que, por algum tempo, chega a vencer a arrogância dos seus imperiais senhores. Prestando honras a Espártaco, os comunistas italianos têm só a intenção de afirmar que a sua personalidade e as suas lutas fazem parte, apesar de tudo, da história das classes subalternas, de um movimento que, apesar dos seus horrores, é um movimento de emancipação.

Mas não muito diferente é o significado que os comunistas russos atribuem ao seu desfilar atrás do retrato de Estaline: não têm intenções de se identificar com os gulags e com a liquidação sistemática dos adversários, tal como Liberazione não tem a de se identificar com o estupro das mulheres e o massacre dos prisioneiros e dos lactentes de que contudo se tornam responsáveis os escravos insurrectos. A insípida transfiguração de Espártaco é a outra face da moeda da demonização de Estaline. Não tem sentido fugir da realidade ou simplificá-la arbitrariamente para ficar de alma em paz: não é preciso ser-se comunista, até o historiador honesto tem de reconhecer que, com todos os seus horrores, o «estalinismo» é um capítulo do processo de emancipação que derrotou o Terceiro Reich, deu impulso ao processo de descolonização e à luta contra a barbárie do racismo anti-semita e anticamita.

Um historiador observou: é um erro pensar que «o racismo nazi foi rejeitado logo nos anos trinta deste século»; só mais tarde começa a ser usado o neologismo «racismo» com a sua conotação negativa, enquanto anteriormente o preconceito racial constituía um dado pacífico da ideologia dominante nas duas margens do Atlântico. É pensável a radical mudança em relação à «raça» e ao «racismo» sem o contributo da União Soviética de Estaline?

6. Os comunistas têm de se reapropriar da sua história

Há uns anos, Clinton declarou querer inspirar-se no exemplo de Theodore Roosevelt. Este não é apenas o teórico do «grosso cacete» a utilizar com os países da América Latina. A personagem querida do ex-presidente americano é também o cantor da «guerra eterna» e sem «falsos sentimentalismos» contra os peles-vermelhas: «Não chego ao ponto de crer que os índios bons são só os mortos, mas creio que em relação a nove em cada dez assim será; por outro lado não queria indagar muito a fundo, nem sequer sobre esse décimo». Naturalmente, não é este o Theodore Roosevelt que Clinton deseja tomar como modelo. Contudo faz pensar a tranquila referência a uma personagem que chega aos limiares da teorização do genocídio; e também dá que pensar o silêncio dos que não se cansam de instar os comunistas e a esquerda a que ajustem finalmente contas com o seu passado criminoso.

Por outro lado, ilustres juristas têm falado a propósito do bloqueio contra o povo iraquiano de «genocídio ocidental» ou pelo menos de massacre (que custou diversas centenas de milhares de mortos). É um massacre consumado não já no decorrer de um terrível estado de excepção, mas num período de paz (acabou até a guerra fria), num momento em que os Estados Unidos não correm nenhum risco para a sua segurança e nem sequer para a sua hegemonia. Com base em qual lógica se pode defender que os crimes de Lenine e Estaline são piores do que aqueles de que se manchou Clinton?

Nos anos da presidência Clinton, dos periódicos bombardeamentos contra o Iraque Sergio Romano falou como que de uma continuação da campanha eleitoral com outros meios. O bombardeamento terrorista como spot publicitário: esta invenção, que teria feito a alegria de Goebbels, foi afinal pela sorte reservada ao país-guia da «democracia» ocidental. E tudo isto, mais uma vez, num período de paz. E de novo emerge a questão: mas porque é que o historiador futuro havia de considerar os presidentes EUA mais «humanos» do que aqueles que dirigiram a URSS num dos períodos mais trágicos da história universal? Desconcertante ou filisteu se mostra então o comportamento de certos comunistas que, enquanto por um lado demonizam Estaline, por outro consideram Clinton como um expoente da «esquerda», se bem que moderada.

Examinemos a história do colonialismo e do imperialismo: o Ocidente apagou os índios da face da terra e escravizou os negros; a uma sorte análoga submeteu outros povos coloniais, mas isso não impediu o Ocidente de apresentar e celebrar a sua expansão como a marcha da liberdade e da civilização enquanto tal. E esta visão acabou às vezes por conquistar ou condicionar possantemente as próprias vítimas, que, na esperança de serem cooptados para o seio da «civilização», interiorizaram a sua derrota, apagando a sua própria memória histórica e a sua identidade cultural. Hoje assistimos a uma espécie de colonização da consciência histórica dos comunistas. O que aqui utilizamos é mais do que uma simples metáfora. Historicamente o movimento comunista chegou ao poder em países coloniais ou pelo menos à margem do Ocidente. Por outro lado, com o triunfo da globalização e da pax americana, do ponto de vista multimedial todo o resto do mundo se tornou uma província e uma colónia, pelo menos potencial, em relação ao centro do Império que, de Washington, pode atacar e ataca diariamente todos os pontos do globo com uma concentrada potência de fogo multimedial. É difícil resistir a tudo isto, mas sem esta resistência não se é comunista.

* Domenico Losurdo, filósofo e historiador, é Professor da Universidade de Urbino, Itália

Este texto é o capítulo IV de «Fuga da História? a revolução russa e a revolução chinesa hoje».

FONTE: http://odiario.info/articulo.php?p=1401&more=1&c=1

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Um comentário em “Os anos de Lenine e Estaline. Um primeiro balanço

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ: GENOCÍDIO ESQUECIDO PELO PODER PÚBLICO!

    No CEARÁ, para quem não sabe, houve também um crime idêntico ao do “Araguaia”, contudo em piores proporções, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará no ano de 1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato JOSÉ LOURENÇO, seguidor do padre Cícero Romão Batista.

    A ação criminosa deu-se inicialmente através de bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como feras enlouquecidas, como se ao mesmo tempo, fossem juízes e algozes.

    Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará foi de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO / CRIME CONTRA A HUMANIDADE é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira bem como pelos Acordos e Convenções internacionais, e por isso a SOS – DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – Ceará, ajuizou no ano de 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que sejam obrigados a informar a localização exata da COVA COLETIVA onde esconderam os corpos dos camponeses católicos assassinados na ação militar de 1937.

    Vale lembrar que a Universidade Regional do Cariri – URCA, poderia utilizar sua tecnologia avançada e pessoal qualificado, para, através da Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa – PRPGP, do Grupo de Pesquisa Chapada do Araripe – GPCA e do Laboratório de Pesquisa Paleontológica – LPPU encontrar a cova coletiva, uma vez que pelas informações populares, ela estaria situada em algum lugar da MATA DOS CAVALOS, em cima da Serra do Araripe.

    Frisa-se também que a Universidade Federal do Ceará – UFC, no início de 2009 enviou pessoal para auxiliar nas buscas dos restos dos corpos dos guerrilheiros mortos no ARAGUAIA, esquecendo-se de procurar na CHAPADA DO ARRARIPE, interior do Ceará, uma COVA COM 1000 camponeses.

    Então qual seria a razão para que as autoridades não procurem a COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO? Seria descaso ou discriminação por serem “meros nordestinos católicos”?

    Diante disto aproveitamos a oportunidade para pedir o apoio de todos os cidadãos de bem nessa luta, no sentido de divulgar o CRIME PERMANENTE praticado contra os habitantes do SÍTIO CALDEIRÃO, bem como, o direito das vítimas serem encontradas e enterradas com dignidade, para que não fiquem para sempre esquecidas em alguma cova coletiva na CHAPADA DO ARARIPE.

    Para que as vítimas ou descendentes do massacre sejam beneficiadas pela ação, elas devem entrar em contato com a SOS DIREITOS HUMANOS para fornecerem por escrito e em vídeo seus depoimentos sobre o período em que participaram da comunidade do Caldeirão, sobre como escaparam da ação militar, e outros dados e informações relevantes sobre o evento.

    Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
    OAB/CE 9288 – (85) 8613.1197 – (85) 8719.8794
    Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
    http://www.sosdireitoshumanos.org.br

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