ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO, SECRETÁRIO GERAL DO PCB


ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO, SECRETÁRIO GERAL DO PCB

1 – O que aconteceu com o Partido Comunista Brasileiro, em 1992?

Em 1992, a maioria do Comitê Central do PCB tentou liquidar o Partido. Eles se aproveitaram dos problemas da construção do socialismo, dos
erros que foram cometidos naquela experiência, cujo saldo é positivo, para tentar acabar com o partido. Mas um terço do Comitê Central e
grande parte da militância resolveram manter o partido. Passamos tempos difíceis, na reconstrução revolucionaria do Partido. Tivemos
que recuperar nosso registro e nossa legenda juridicamente, refazer toda a estrutura material do partido. Hoje estamos fazendo 18 anos
dessa reconstrução.

2 – Desde 1992 até o XIV Congresso, como o companheiro relata a reconstrução do Partido Comunista Brasileiro? O camarada acha que o
Congresso atingiu seus objetivos principais?

O XIV Congresso Nacional do PCB (que contou com a prestigiosa presença da FPLP), a nosso ver, marca a consolidação desse processo de
reconstrução e cria condições para o PCB crescer com qualidade. Achamos que se não cometermos erros, se mantivermos essa coerência
política que temos mantido nos últimos anos, o PCB pode ser um estuário dos revolucionários brasileiros. É claro que esta
reconstrução foi um processo difícil nos primeiros anos. A grande unidade que tínhamos no início da década de 90 era manter o PCB. Mas
isso não era suficiente; não se tratava apenas de manter o partido pela sua história, como se fosse um patrimônio histórico. Quando
começamos a discutir para o que servia o partido, aí começaram a aparecer algumas divergências. Só no fim da década passada é que
começa a se manifestar no PCB um consenso hegemônico em torno de algumas questões que marcam esse momento que nós estamos vivendo, e
que eu caracterizaria com dois grandes temas: a revolução socialista e o partido leninista.

3 – Onde estão as dificuldades que impedem a unificação dos partidos de esquerda Brasileira?

A divisão dos partidos de esquerda não há só no Brasil, é uma divisão que perpassa toda a esquerda mundial, em torno de uma velha discussão
entre reforma e revolução. Um partido de esquerda determina sua linha política em função de como ele vê a sociedade. No nosso caso,
avaliamos que o fator mais importante desta divisão é a localização de qual é a contradição fundamental de uma sociedade. Nós achamos que no
Brasil a contradição fundamental da sociedade é entre o capital e trabalho e há alguns setores de esquerda que acham que é entre a nação
brasileira (incluída a burguesia) e o imperialismo. Daí derivam as divergências, que têm a ver com a possibilidade ou não de fazer
aliança com a burguesia. No nosso caso, acreditamos que não existe possibilidade de aliança com a burguesia brasileira.

4 – O presidente Luís Inácio Lula da Silva, considerado da esquerda, como o PCB avalia o governo de Lula referente à política interna e a
política externa?

Na nossa avaliação, Lula nunca foi de esquerda; Lula é um democrata, um social liberal. Mas nunca enganou ninguém; quando tomou posse disse
que iria fazer um espetáculo do crescimento capitalista. Ele é um sindicalista de resultado que leva isso para o exercício da
presidência da república. Na realidade, não existe meio termo: ou se é socialista ou capitalista. Por exemplo, a política econômica do
governo Lula é idêntica praticamente à do FHC.

Lula nomeou como presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que era presidente do Banco de Boston, um representante do capital. Ele
foi nomeado na frente do Bush, antes da posse do Lula.

A política externa do governo Lula é a política externa do estado capitalista brasileiro, que chamam de pragmatismo responsável. O
centro desta política é fazer o capitalismo brasileiro se transformar numa potência mundial, uma potência capitalista mundial.

Já que estamos falando em uma entrevista que tem como público principal nossos irmãos palestinos e do Oriente Médio em geral, um bom
exemplo da postura do governo brasileiro na política externa foi na questão da invasão sionista à faixa de Gaza. Lula ficou em cima do
muro fazendo declarações ora para um lado, ora para outro.

5 – Na América Latina, presencio muitos fatos importantes, entre eles a chegada de várias personalidades populares ao poder em vários países como Venezuela e Bolívia, além do Brasil, Equador, Chile, Argentina, Paraguai. Como o companheiro relata este avanço da esquerda em América Latina ?

Realmente há um avanço progressista na América Latina, um avanço grande e importante, positivo, mas sujeito a retrocessos e
contradições. E é desigual também, com relação ao enfrentamento ao imperialismo, ao ritmo, à qualidade e intensidade das mudanças
sociais. Desse ponto de vista, podemos dividir a América Latina em três grupos: um primeiro grupo é mais à esquerda, mais representativo
dessas mudanças sociais, como é o caso de Cuba, que inspirou e possibilitou outros processos revolucionários. Temos aí também neste
grupo os casos da Venezuela, Bolívia e, em menor medida, do Equador. Por outro lado, tem um grupo de países que nós chamamos de governos
sociais liberais, especialmente no cone-sul do Brasil, e ai nós estamos falando de Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai e Argentina. São
experiências reformistas, mas dentro da lógica do capital. Esses governos não têm nenhum interesse em participar de uma articulação
continental antiimperialista, como é o caso da ALBA. E, finalmente, na América Latina tem três países cujos governos são alinhados ao
imperialismo americano: México, Peru e Colômbia. Foram exatamente estes três países que firmaram acordos bilaterais com os Estados
Unidos, os chamados TLC’s (Tratados de Livre Comércio). O mais perigoso deles é o governo da Colômbia, o governo Uribe, que é um
fascista, que é um verdadeiro narcotraficante, que está transformando a Colômbia numa grande base militar ianque, uma situação que o mundo
árabe bem conhece. A Colômbia está virando para a América Latina o que representa Israel para o Oriente Médio, ou seja, uma grande base
militar terceirizada do imperialismo norte-americano.

6 – As 7 bases militares americanas foram construídas na Colômbia recentemente, além das outras bases no Paraguai e Suriname e vários países na América Latina, o companheiro pode relatar qual é o interesse do imperialismo americano na América Latina?

É importante registrar que a América Latina passa por um momento de muita tensão. Há três ou quatro anos atrás, quem diria que a América
Latina poderia se transformar numa região com riscos de conflitos militares? O imperialismo está prestando mais atenção na América
Latina, preocupado com as mudanças que foram aos poucos se implantando; e resolveram tentar dar um basta nessas mudanças. E estão
jogando pesado. Reativaram a “Quarta Frota”, que estava desativada desde a segunda guerra mundial. E é uma frota que percorre os mares da
América do Sul, Central e Caribe, armada até os dentes. Estão criando mais setes bases militares na Colômbia. O golpe em Honduras já é parte
desta agressividade: tem o DNA, as pegadas, as digitais do imperialismo americano, antes, durante e depois. Eles fizeram todo um
teatro, de que não estavam por trás do golpe, mas o mundo, pelo menos o mundo mais bem informado, mais politizado, já sabe que aquele foi um
golpe articulado pela CIA, pelo Departamento de Estado.

O problema dos Estados Unidos aqui na América Latina não é apenas a guerra, por que eles precisam de guerra, para poder vender seus
produtos, a sua grande indústria hoje é a indústria bélica, o que nós chamamos de complexo industrial militar. Eles têm três objetivos na
América Latina como em geral no mundo todo: fazer guerras para vender produtos do complexo industrial militar, tentar barrar o processo de
mudanças sociais e, em terceiro lugar, se assenhorar, saquear as grandes riquezas naturais que a região tem, mesmo depois de quatro
séculos de exploração, muito bem expostos por Eduardo Galeano, no Livro as “Veias Abertas da América Latina”. Eles sabem que aqui ainda
há muita riqueza, petróleo e gás em abundância, reservas de água potável, biodiversidade, muitos outros recursos minerais, apesar de
tudo que os espanhóis, os portugueses e depois os ingleses e americanos já saquearam.

7 – Durante 2 décadas, vários acontecimentos mundiais aconteceram, que deixaram os Estados Unidos dominando o mundo, praticando, julgando e punindo seus inimigos, conforme seus interesses e objetivos. Sem o sistema Socialista, sem a União Soviética, a nova ordem mundial, globalização, mais guerras no Afeganistão, Iraque, como o Partido Comunista Brasileiro entende as mudanças e estas guerras?

A queda da URSS foi uma derrota para os trabalhadores do mundo todo. Até então o mundo era bipolar, ou seja, havia duas potências, os
Estados Unidos e a URSS, que disputavam a hegemonia do mundo em condições de igualdade e isso permitia à URSSS impor uma correlação de
forças que garantia dessa forma um pouco de paz, paz no sentido da luta antiimperialista, porque a URSS deu solidariedade a muitos países
na luta contra o imperialismo.

A queda da URSS provocou também um enfraquecimento dos partidos comunistas e de esquerda, dos sindicatos. Durante quase duas décadas,
prevaleceu um mundo unipolar, ou seja, um mundo que só tinha um pólo, um pólo capitalista, hegemonizado pelos EUA. A falta da URSS provocou,
por exemplo, a perda de direitos trabalhistas no mundo todo e o esvaziamento do papel do Estado, as privatizações.

Mais cedo do que imaginávamos, estão surgindo outros pólos no mundo, mas é bom registrar, para que não se tenha no campo da esquerda
nenhuma ilusão, que se trata ainda de uma multipolaridade no campo do capital. Mas há também a crise do capitalismo e uma tendência de
recuperação do poder de força dos partidos comunistas, dos sindicatos, o acirramento da luta de classes; enfim, há um ambiente hoje mais
propício para a esquerda no mundo. Mas o capitalismo ainda tem bala na agulha, ainda tem gordura para queimar. Apesar de os EUA virem
gradualmente perdendo um pouco de sua hegemonia no campo político, no campo ideológico e até econômico, não podemos nos iludir, porque no
campo militar o mundo é quase unipolar ainda.

8 – Desde 1947 a ONU em sua resolução 181, a partilha da Palestina, o voto do Brasil foi decisivo para a criação do Estado de Israel, e as
resoluções da Assembléia Geral não é obrigado a ser aceito pelas partes, como o PCB vê o voto de Oswaldo Aranha, e qual é a sua visão
sobre este conflito daquele ano?

A meu ver, a decisão da ONU, em 1947, pela criação do Estado de Israel em terras palestinas – em que alguns dos países votantes talvez
considerassem a possibilidade de uma coexistência pacífica entre os povos judeu e palestino – acabou se mostrando trágica e desastrosa. Se
o Estado de Israel fosse criado em outra região do mundo, como chegou a ser aventado pelos próprios judeus no início do século XX, o
sionismo teria dificuldade de formular a ideologia da “terra prometida”, que embasa sua agressividade. A tendência talvez fosse um
estado laico. Esta Resolução da ONU foi influenciada por alguns fatores, inclusive conjunturais, como a solidariedade mundial frente
às atrocidades cometidas pelos nazistas, no que ficou conhecido como holocausto, cuja existência não se pode negar.

Antes da decisão da ONU, a partilha da Palestina já vinha sendo negociada e implementada pela burguesia sionista, com o apoio da
Inglaterra e dos Estados Unidos, estimulando o fluxo de judeus para o território palestino, ou seja, uma ocupação gradual e conflituosa, que
já encontrava a resistência dos palestinos. A decisão da ONU, em verdade, veio “legalizar” uma ocupação de fato.

Por mais que a antiga União Soviética (que também votou a favor) tivesse ilusões de ajudar a criar um Estado laico e progressista,
vendo o grande número de judeus pobres que migravam para terras palestinas, dentre eles muitos comunistas, a criatura da ONU de 1947
acabou sendo hegemonizada pelo sionismo e se transformando numa cunha do imperialismo no Oriente Médio.

Ocorre que os ideólogos sionistas supervalorizam o holocausto, como se só os judeus tivessem sido vítimas de atrocidades, manipulando a
história e inclusive tentando apagar o papel decisivo que principalmente a URSS e também outros países tiveram na derrota do
nazifascismo. Não teve povo que teve mais perdas na Segunda Guerra que o povo russo. E a batalha decisiva se travou em seu território. E o
incrível é que valorizam tanto o holocausto provocado por Hitler, que se sentem no direito de cometer qualquer agressão ao povo palestino. E
ainda não aceitam que chamemos a tragédia palestina de holocausto palestino, que é como devemos caracterizar, até para chamar a atenção
do mundo para o tema.

Há décadas o sionismo usurpa as terras dos palestinos, reprime e prende os que resistem, destrói sua cultura, promove uma limpeza
étnica nos territórios ocupados. São mais de 11 mil presos políticos e mais de 4 milhões de refugiados, vivendo precariamente nas fronteiras
da Síria, do Líbano e da Jordânia.

9 – A ONU sempre teve papel importante em solucionar vários conflitos, como vê o papel da ONU referente ao conflito Palestino
israelense?

A ONU já teve um papel mais importante quando existia a URSS, que tinha um peso muito grande no Conselho de Segurança, inclusive poder
de veto.

Com a queda da URSS, a ONU já não é mais a mesma e também com a abertura da economia chinesa. Por mais que a China ainda mantenha
alguns fundamentos socialistas, o fato de ter grande peso no mercado capitalista mundial limita sua atuação mais independente no âmbito
internacional.

Hoje a ONU, apesar de algumas contradições e apesar de suas instâncias que reúnem o conjunto dos países em geral terem posições mais
progressistas, esbarra sempre num Conselho de Segurança que é hegemonizado pelo imperialismo.

Desde sua fundação, Israel tem praticado massacres e agressões contra o povo palestino , muitos condenados pela ONU, que efetivamente não
teve nenhum poder para punir Israel em absolutamente nada, em função do veto de seu parceiro e protetor, o imperialismo norte-americano.

Na faixa de Gaza, Israel praticou vários crimes contra a humanidade e acaba de ser condenado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e, no
entanto, o Conselho de Segurança da ONU não faz nenhuma retaliação a Israel.

10 – Durante mais de 60 anos Israel praticou massacres contra o povo palestino, consideradas crimes contra a humanidade, começando pelo massacre de Deir Yassin em 1948, onde foi assassinado mais de 110 palestinos da Aldeia de Deer Yassin. Lembrando Sabra e Chatila, em 1982, mais de 2000 palestinos foram assassinados brutalmente, até seus últimos crimes recentemente na Faixa de Gaza, o Relatório de GoldenStone confirmou que Israel praticou massacres contra a humanidade na Faixa de Gaza, o companheiro como advogado o que acha que deveria fazer, e o qual a solução para levar os criminosos para os tribunais internacionais? E que atitude as forças de esquerda
brasileira deveriam assumir no sentido para levar os criminosos de guerra para os tribunais?

Eu creio que todos os democratas, os socialistas de todo o mundo devem continuar uma campanha intensa no sentido de levar para os tribunais
internacionais os criminosos de guerra de Israel. Infelizmente, não acho que o Estado de Israel esteja pronto para alcançar uma paz no
Oriente Médio. Pelo contrário, o que temos visto é o aumento da agressividade sionista com a expansão dos assentamentos com o “muro da
vergonha”. Com a invasão de Gaza, o cerceamento da liberdade com a prisão de milhares de militantes palestinos o que Israel tem feito é
tentar inviabilizar o futuro Estado palestino, inclusive com a ocupação territorial, a separação de Gaza da Cisjordânia com
assentamentos irregulares e ilegais. O que ocorre é que Israel, com essa política, acaba inviabilizando na prática a idéia da coexistência
pacífica: dois povos, dois Estados, simplesmente porque está desfigurando e acabando com o território palestino original. Para se
ter uma idéia da resistência de Israel aos direitos do povo palestino, Israel não aceita nem a proposta rebaixada da Autoridade Nacional
Palestina de criar um Estado palestino descontínuo, apenas na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Além de afirmar que
“Jerusalém é indivisível”, Israel ainda ameaça retaliar os palestinos se este Estado, limitado e descontínuo, for estabelecido.

As forças de esquerda, democráticas e progressistas brasileiras devem reforçar a campanha mundial para levar os criminosos de guerra aos
tribunais internacionais, uma das formas de evitar a repetição dessas atrocidades. Os Comitês de Solidariedade ao Povo Palestino têm que se
reproduzir em todos os Estados brasileiros e se fortalecer através da unidade de ação, para criar as condições para a realização, no momento
oportuno, de um grande congresso ou conferência nacional de solidariedade à Palestina.

11 – Qual é a mensagem, como dirigente do PCB, o camarada manda para o povo palestino e os povos arabes?

Nossa mensagem vai no sentido de dizer para o povo palestino e para todos os povos árabes que aqui na América Latina, inclusive no Brasil,
há uma grande simpatia, uma grande solidariedade à luta desses povos, que devem perseverar, pois a vitória será certa. Mas devemos nos
preocupar com o recrudescimento da agressividade sionista e imperialista, pois quanto mais se agravar a inevitável crise do
capitalismo, mais recorrerão a guerras de baixa, média e grande intensidade, golpes de Estado e todas as formas de truculência,
política e militar, para tentar frear a resistência dos povos e saquear suas riquezas.

Esta entrevista encontra-se em árabe em: http://www.alfajrnews.net/News-sid-a-a-a-a-aiae-a-a-aa–a-i-i-a-iai-i-ae-iaei–24233.html

FONTE: http://www.ujccuritiba.info/2009/12/entrevista-com-ivan-pinheiro-secretario.html

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5 comentários em “ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO, SECRETÁRIO GERAL DO PCB

  1. Prezado senhores,
    Esta entrevista clareia, deleta, detona coisas que se solidificaram por falta de informação, distância etc.
    Esta liquidação do PCB foi processo, vinha ocorrendo há algum tempo, até mesmo por inimigo interno. O Imperialismo tem suas metas a curto, médio e longo prazos, tem sua clandestinidade também e é monolítico, e tudo culminou em 1992.
    O desfecho foi pontual, praticamente em todo o Brasil. Em vários estados, principalmente os mais afastados do eixo Rio de Janeiro e São Paulo, gerou situações que ainda se arrastam. Há ainda camaradas que nem acesso aos Grupos Tortura Nunca Mais tiveram, outros faleceram e teria de ter sua memória restaurada.
    Quando o PCB retornou a legalidade, para muitos foi um choque sair da clandestinidade, se organizar, e em seguida a liquidação do PCB, se tornou algo assustador, traumatizante.
    Membros do Comitê Central, na época, estavam espalhados para ‘’reorganizar’’ o Partido. Mandaram esquecer a ‘‘velharada do PCB’’.
    Como esquecer, camaradas que deram uma vida, ou a vida, vinham das campanhas do Petróleo é Nosso, Legalidade de Jango Goulart, foram presos pelo golpe civil-militar de 1964, sobreviveram aos anos de chumbo, participaram pela Anistia, Ampla Geral e Irrestrita, como meu pai mesmo, enfim estavam doentes, esclerosados, esquecidos.
    A direita tem seus médicos, psiquiatras, hospitais e escolas a seu dispor, e o PCB? E os quadros do Partido? Não havia médicos, psiquiatras, ou pelo alguém que desse uma orientação, mesmo jurídica? Já que estava se reestruturando. Tinha mais era que recuperar estes camaradas e não esquecê-los, deixá-los de lado, não era Kmer.
    E as pelejas, dos camaradas Luiz Carlos Prestes, Oscar Niemeyer e outros não valeram nada? Foi em vão? Foi utopia?
    Me afastei do PCB entristecido, decepcionado e p. da vida. Não concordava com as ‘’novas diretivas’’ do Comitê Central, à PQP o CC.
    Um belo dia recebi convite, ‘’me acharam’’, para participar de uma reunião, para participar de um novo partido, com base popular, sem o estigma stalinista, etc, o PPS. Não havia condições de fazer mais nada. Fui para outro partido, de movimento democratico.
    Com relação ao governo LULA, as colocações são certíssimas, vivemos uma continuidade da era FHC, do neo-liberalismo, com leilões em vários setores, desrespeito aos aposentados, problemas de Reforma Agrária, Saúde e Ensino, sem ofertas de opções para a juventude, falta de oportunizar debates mais amplos para a continuidade e aprofundamento da democracia, pondo até mesmo em risco a salvaguarda de nossas riquezas naturais, pelo imobilismo e afastamento do processo histórico rumo ao socialismo.
    Parabéns para Zuleide por ter ”segurado a onda” e para o Ivan, que da oportinidade ” de surfar a onda”, pelos novos rumos ao PCB.
    Abraços,
    José Luiz

  2. PPS de movimento democrático. Um Partido que praticamente apoiou o golpe em Honduras com suas declarações contra o asilo a Zelaya, que se alinhou de corpo e alma com o Dem/PFL e PSDB não pode falar de democracia.
    O estigma estalinista é para aqueles que não compreendem ou renegam a história.
    Nosso debate é muito maior e complexo.
    Abraços,
    Rui Pacheco

  3. Prezado Rui Pacheco
    Concordo ipsi lipsi com voce, tanto é que não fui para PPS, como estava tudo ruido, sem saber quem é quem, residia na época em Cuiabá MT, demora de informações, fui para o PMDB.
    Hoje resido em Niteroi e estou no PT
    Abraços
    José Luiz

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