Palestina: Uma nação ocupada


Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino

O primeiro Congresso Sionista Mundial, realizado em 1897, decidiu criar um Estado judaico sobre a Palestina, país que após a primeira guerra mundial passou da condição de dominado pelo Império Otomano a de Protetorado Inglês.

O movimento sionista, que até aqui não tinha a hegemonia sobre a massa de trabalhadores judeus, é adotado e incorporado pela burguesia judaica como o seu grande projeto ideológico e estrutural. Esse novo caráter de classe do movimento sionista facilitou o passo para conformar uma aliança estratégica com uma nação imperialista, que garantisse politicamente o Projeto, à época a Inglaterra. (De 1882 (logo, quinze anos antes do congresso) até o ano de 1914, em torno de 2,5 milhões de judeus fugiram da Europa, mas menos de 40 mil foram para a Palestina, os judeus russos que fugiram dos pogroms.)

A conjuntura não poderia ser melhor: Os países imperialistas estavam em plena disputa e na corrida da expansão colonial. O sionismo estava a calhar para os planos imperialistas da Inglaterra no Oriente Médio. A Inglaterra necessitava garantir a manutenção do território conquistado aos otomanos e liquidar o movimento nacional árabe que resistia sob forte influência da Revolução Russa.

Em 1917 assina a Declaração de Balfour que consentiu ao movimento sionista o direito para a criação do Estado Sionista de Israel sob o território árabe palestino. Este apoio se concretizou na facilitação da emigração judaica para a Palestina. De imediato, a Inglaterra forma 3 batalhões de colonos judeus que são treinados e armados pelo exército de sua majestade.

A ajuda financeira da burguesia judaica e a proteção do imperialismo britânico fortalecem o grande projeto da burguesia judaica de construir em terras palestinas um estado judeu. Fortalecido, o movimento sionista funda as agencias judaicas com objetivo de financiar a imigração judaica para o território palestino, o terror, compras de terras, e as construção das colônias – Kibuts.

O terrorismo das milícias, atuante desde o início do século, ganha apoio internacional. Os palestinos são brutalmente expulsos, assassinados ou presos em sua própria terra. Haganah, Irgun e Stern intensificam o terror nas aldeias palestinas. Houve também casos isolados de palestinos ricos que viviam nas cidades longe do campo e que arrendavam suas terras aos camponeses pobres. Esses “latifundiários” vendem suas terras e se livram do problema, ou melhor do confronto com os sionistas. Obviamente que as massas palestinas resistiram, fizeram greves e organizaram grupos de defesa. Nesse contexto a Inglaterra ocupa a Palestina, Iraque e Jordânia ; a França ocupa a Síria e o Líbano.

Em 1921, novas revoltas contra os ingleses, a selvagem migração judia sionista, os colonos que não param de chegar e o terror. Essa década é marcada pela pauperização e a exclusão dos agricultores e produtores palestinos privados de suas terras e pelas flexibilidades concedidas aos judeus sionistas pelos britânicos.

As primeiras organizações de trabalhadores judeus faziam campanhas para que nenhuma empresa ou fazenda contratasse mão de obra árabe. Os novos empreendedores judeus sionistas faziam campanhas e perseguiam aqueles que comprassem produtos palestinos. Obviamente isso gerou muito mais revolta das massas palestinas, greves gerais e resistência. Os confrontos entre palestinos e colonos judeus, sendo estes últimos apoiados e armados pelo Reino Unido, eram inevitáveis. Os palestinos eram vítimas fatais do projeto sionista, das suas organizações terroristas armadas e do exército inglês.

A viabilização do Estado de Israel foi legitimado pela da Organização das Nações Unidas – ONU através da Resolução 181 de 1947, que designou sem nenhum respaldo jurídico, ou legal de qualquer natureza, a partilha do território da Palestina para a criação de dois Estados, desconsiderando o direito do povo palestino que lá vivia e não foi consultado. Esta Resolução resultou em mais expulsão dos palestinos de seus lares e de suas terras , liberando mais ainda o território para a consolidação do Estado de Israel.

A Resolução da Partilha da Palestina é uma farsa, sequer esta ilegítima resolução foi levada a cabo: ela somente consolidou a criação do Estado de Israel em terras palestinas e o apoio da mídia internacional que passa ser instrumento importante por onde o sionismo faz a campanha em prol da ocupação das terras palestinas com a famigerada: “uma terra sem povo para um povo sem terra” . Uma grande e assassina manipulação da história!

Algumas vezes ouvimos camaradas reproduzirem a idéia de que o sionismo era comunista e se degenerou! Nada mais falso! O sionismo nasce fazendo apologia de uma raça que não pode se assimilar, que deve se manter pura e ter seu próprio território. Para isso lança mão de instrumentos ideológicos eficazes.

Uma boa olhada nas declarações dos primeiros líderes sionistas ajuda a entender melhor esse movimento:

1. “Será um bastião adiantado da civilização frente à barbárie oriental” Herzl;

2. “É impossível que alguém se assimile a pessoas que tenham sangue distinto ao seu. Para se assimilar, tem que mudar seu corpo, tem de converte-se em um deles no sangue. Não pode haver assimilação. Nunca haveremos de permitir coisas como o matrimônio misto por que a preservação da integridade nacional somente é possível mediante a pureza racial e para isso haveremos de ter esse território em que nosso povo constituirá os habitantes racialmente puros” Vladimir Jabotinsky – citado no livro de Lenni Brenner um dos fundadores do sionismo;

3. “ Do exterior somos inclinados a acreditar que a Palestina é um país quase completamente vazio; … A realidade é bem outra. É difícil encontrar terras aráveis que não sejam cultivadas… Não são apenas os camponeses, mas também os grandes proprietários que hesitam em vender sua boa terra. Numerosos irmãos vieram aqui para comprar terras e tiveram que permanecer durante meses, percorrendo de cima a baixo, sem contudo encontrar o que procuravam” Relatório de viagem de um dos fundadores do sionismo;

4. Leitura contemporânea sobre o tema : Importante também a leitura de uma nova geração de historiadores de famílias e origem judaicas que rompem o cerco ideológico e denunciam o movimento sionista e seu projeto assassino. Por outro lado, concretamente, não foi fácil tirar as famílias judias de seus países, suas raízes e do convívio de suas famílias na Europa. Mas o movimento necessitava ganhar essa base social para o projeto de colonizar a Palestina. As estratégias utilizadas foram basicamente duas:

· Possibilidade de ascensão social e terras. Imigração por terras. Esse discurso tinha repercussão na pequena burguesia, artesãos e desempregados judeus da Europa;

· E o discurso messiânico da terra prometida que seduzia as camadas mais pobres da Europa. Israel é um Estado expansionista com a função clara de cabeça de ponta do imperialismo naquela região rica em petróleo. Desde sua origem, representou uma declaração de guerra contra o povo árabe e palestino, causou massacres, expulsões, crimes de guerra, sofrimentos, tragédias, seis guerras: 1948, 1956, 1967, 1973, 1982, 2006, 2008/09 e muito sangue derramado.

As resoluções da ONU e outras iniciativas mundiais e árabes para estabelecer a paz na região não tiveram sucesso porque o Estado Sionista de Israel é uma base militar que serve aos interesses expansionistas do capital de dominar, se apropriar e controlar o território árabe.

A estratégia americana e sionista para o Oriente é a ocupação militar do território, a apropriação das terras e das riquezas naturais encontradas.

Na política geral para o Oriente Médio, Israel ocupa um lugar de destaque e um papel importante no domínio militar do território e na sua consolidação posterior, definindo e configurando um novo perfil para região.

Israel ocupa o território palestino, as regiões fronteiriças, as zonas tampão e ocupa Golan e Chebaa, Síria e Líbano, respectivamente. É um Estado militarizado e teocrático, cujo regime é de apartheid, ou seja, segrega e seleciona quem pode ou não exercer a cidadania plena.

A colonização judaica sionista na Palestina afasta de forma violenta o povo árabe da construção social, econômica ou política, numa palavra, das estruturas da formação social em seu próprio território. Para isso, não se constrangem em ferir os Direitos Humanos e as Convenções Internacionais, como as de Genebra.

A estratégia central é a limpeza étnica. O que está em curso nas territórios ocupados é a construção de uma nova história, com um novo povo, sob os escombros e a destruição da história do povo que lá vive , de sua formação social e sua cultural árabe. Nesse sentido, o sionismo não teve dúvidas e soube aproveitar em seu benefício o sofrimento daqueles que foram vítimas do nazismo. Emerge da segunda guerra ao lado da poderosa burguesia dos EUA com quem forja uma aliança de fogo e ferro de interesses mútuos, estreitos, econômicos, políticos e ideológicos. Desde então, os EUA investe bilhões e bilhões de dólares todos os anos na modernização e ampliação do poder militar israelita na área. Atualmente, Israel exporta artefatos de guerra para o mundo, é o quarto mais bem armado exército do planeta e conta com 400 ogivas nucleares.

As guerras que acontecem na região, como no Iraque, no Líbano, na Síria (Golan), são alimentadas pela rede sionista e pelo imperialismo americano. Além das guerras eles desenvolvem fatos, mídias , argumentos, maquiando os reais motivos dos conflitos, enganando a opinião mundial. Distorcem o verdadeiro conflito de terras descrevendoos como religiosos, fundamentalistas etc… São 60 anos de invasões, saques e desrespeito as resoluções das instituições mundiais, negando os direitos históricos dos palestinos de diferentes credos religiosos que vivem naquela terra há mais de 5000 anos, desde os Cananeus.

A visão sionista sobre o “conflito” – a ocupação – no território histórico da Palestina ocupada demonstra uma preocupação com a superpopulação. Para os dirigentes de Israel, a densidade demográfica e o crescimento da população palestina são a pauta do dia. Os 1,2 milhões de palestinos que vivem aí e a densidade demográfica da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, ou seja o pouco que restou da Palestina histórica, são considerados um perigo e uma ameaça ao Estado Sionista de Israel.

A emergência de eliminar este número obrigou o Estado sionista a intensificar as formas de se “livrar da população palestina”.

A construção do muro do Apartheid (apelido muito apropriado, visto que Israel apoiou o regime racista da África do Sul até o final) é uma política para isolar a população palestina, criar guetos, destruir sua infraestrutura, roubar mais terras e impossibilitar a vida das aldeias, os estudos das crianças, o acesso à saúde, o acesso às oliveiras, etc…

A estratégia de primeiro isolar regiões descontínuas e ir se apropriando do meio foi levada a cabo quando Israel tomou medidas para isolar a Faixa de Gaza da Cisjordânia, quando impediu a comunicação entre as duas regiões palestinas.

O projeto da colonização sionista na Palestina, desde seu início até aqui, segue sendo o da “limpeza étnica” – ou genocídio étnico – através da expulsão do povo palestino para os países árabes vizinhos, do assassinato coletivo, por meio de ataque militar, como o promovido em Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 e do bloqueio imposto , também a Gaza, que asfixia e mata sua população sem condições de sobrevivência,de água, de saúde, educação…. obviamente esta solução tem o apoio irrestrito dos Estados Unidos.

A constituição de dois estado, solução buscada em Oslo, constantemente motivo das intermináveis discussões de “paz”, é absolutamente inviável, entre outras coisas pela natureza fascista, totalitária e racista que tomou o projeto sionista da construção de um Estado/base militar do imperialismo na região.

O que está na agenda do movimento comunista e revolucionário internacional é se colocar, como sempre fez, firmemente, pelo combate e destruição do fascismo, que nesse caso, como foi com a Alemanha nazista, significa destruir o estado sionista, o Estado de Israel e pelo imediato estabelecimento de um Estado palestino democrático popular para todas as pessoas que lá estão, independente de religião, sendo eles muçulmanos, cristãos, judeus, drusus, ateus, em seu solo histórico, com o retorno dos refugiados e Jerusalém sua capital.

As massas árabes massacrados em seu território necessitam de paz para viverem e reconstruírem suas vidas há mais de 60 anos vilipendiadas e destroçadas. Essa simples agenda não é possível com a existência do Estado de Israel pronto a promover a “limpeza étnica” e levar o projeto imperialista expansionista e colonizador para além da Palestina, para o Iraque, como o fez; para a Síria, Líbano e para o ambicionado confronto com o Iran.

Considerando a real situação e correlação de forças existentes na luta que o povo palestino trava diariamente nos territórios, a estratégia do Estado Popular Democrático pressupõe tarefas imediatas que crie condições necessárias para tal. Nesse sentido é fundamental o apoio dos comunista ao programa e objetivos imediatos da luta do povo palestino, encaminhados no dia a dia das lutas, nas ruas, nas intifadas e em outras manifestações de massa.

Programa e objetivos imediatos construídos dentro da OLP – Organização pela Libertação da Palestina, representante legítima do povo palestino e que requer muito empenho e garra de todo povo palestino, a unidade de suas organizações políticas e sociais , utilização de todos os meios disponíveis para avançar em seus objetivos e requer, também, muita solidariedade internacionalista. Portanto o papel da solidariedade internacionalista é fundamental pelo fortalecimento político que empresta a causa palestina e pela efetiva e concreta participação na criação das condições necessárias que farão avançar essa luta na construção de uma Palestina livre. Nesse sentido, os comunistas empenham todo apoio aos objetivos imediatos que vão no sentido de criar essas condições:

1º – Pelo fim imediatamente da ocupação israelense dos territórios tomados em 1967 e fazer valer seu inalienável direito à autodeterminação sobre esses territórios;

2º – Aplicação de todas as resoluções internacionais não acatadas pelo sionismo;

3º – Garantir aos refugiados, (atualmente) 65% do total do povo palestino, o retorno as suas terras de onde foram expulsos;

4º – A libertação imediata dos cerca de 11.000 prisioneiros, entre eles Ahmad Saadat secretário geral da FPLP e outros dirigentes da esquerda;

5º – A reconstrução da OLP, ou seja, reconstrução da unidade política necessária às tarefas que estão colocadas para esse bravo povo;

6º – Apoio irrestrito à todas as formas de resistência do povo palestino;

7º – Destruição do muro do apharthait, conforme Tribunal de Haia;

8º – Destruição de todos os assentamentos judaicos na Cisjordânia;

9º – Fim imediato do Bloqueio assassino à Gaza.

E finalmente, apoiar todas as iniciativas que visem estreitar os laços entre os partidos da esquerda palestina, em especial da FDLP e FPLP, em unidade concreta de ação eprogramática.

POR UM ESTADO PALESTINO DEMOCRÁTICO POPULAR PARA TODOS QUE LÁ VIVEM!

PELA TOTAL INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA DOS TERRITÓRIOS OCUPADOS EM 1967!

PELO RETORNO DOS REFUGIADOS E JERUSALEM CAPITAL!

LEBERTAÇÃO DE TODOS OS 11.000 PRISIONEIROS PALESTINOS!

COMITÊ: http://somostodospalestinos.blogspot.com/

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Um comentário em “Palestina: Uma nação ocupada

  1. Prezado Dario
    A questão Palestina é delicada. É situação, que se criticamos negativamente a politica de Israel, há sensação de ser nazista. Principalmente se temos raízes judaicas e a consciência de luta pela liberdade.
    E é justamente esta consciência é que remete a criticas negativas a postura de Israel relativo a Palestina e aos postulados da criação do Estado de Israel; somos favoráveis ao Estado de Israel, mas também favoráveis ao Estado da Palestina.
    A peleja é contra a postura nazistóide de um grupo, o sionista, que deve ser isolado, para não contaminar o povo judeu dentro e fora de Israel.
    Neste sentido, o Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino deve ser prestigiado, é luta de libertação, sem receio de nazistação.
    Abraços,
    José Luiz

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