A Libertação de Auschwitz


Rui Paz*

66 anos após a libertação de Auschwitz, o imperialismo e o militarismo mostram nunca se ter conformado com a derrota do nazi-fascismo. “E com o fim da URSS e do socialismo na Europa do Leste despertou de novo a agressividade e o apetite do monstro revanchista. Actualmente, a Alemanha é, na UE, o maior exportador de instrumentos de morte. Como accionista directo ou indirecto de vários grupos armamentistas, o Deutsche Bank é um dos principais beneficiários dos objectivos belicistas prosseguidos pela Agência Europeia de Defesa (EDA) e inscritos no chamado «Tratado de Lisboa».”

A 27 de Janeiro de 1945 o Exército Vermelho libertou Auschwitz, o maior e mais conhecido campo de extermínio nazi. Coube à União Soviética, país que, com mais de 20 milhões de mortos, sofreu como nenhum outro os efeitos cruéis da agressão da Alemanha hitleriana, libertar a humanidade de um dos mais terríveis centros do terror, símbolo extremo da opressão e da irracionalidade de um sistema que de forma inequívoca demonstrou não haver limites para a barbárie quando a existência humana é submetida à lei do lucro.

Em Auschwitz tudo era financiado pelo Deutsche Bank, cuja direcção se encontrava representada na IG FarbeBayer), empresa beneficiária do trabalho escravo e fornecedora do Zyklon B, o gás da morte com que os prisioneiros considerados inaptos para trabalhar eram asfixiados. Também as contas dos SS, da Gestapo e da firma Topf, construtora dos crematórios, estavam sob o controlo daquele império financeiro. Não existe praticamente nenhum grande banco ou monopólio alemão que não tenha enriquecido com o nazismo e a escravidão dos prisioneiros dos campos de concentração. Siemens, Krupp, Opel, BMW, VW, Daimler, IG Farbe, Alianz, Flick, Deutsche, Dresdner e Commerz Bank, são apenas os nomes mais sonantes de dinastias do mundo empresarial e da finança cujo poder foi consolidado pelo terror do regime hitleriano. Só entre 1939 e 1944 o volume de negócios do Deutsche Bank aumentou de 4,2 para 11,4 mil milhões de «Reichsmark».

Numa intervenção proferida no «Instituto de Ciências Bancárias» a 25 de Outubro de 1940, pouco meses após a ocupação militar da Polónia, Escandinávia, Benelux e França pelos exércitos alemães, o banqueiro Hermann Abs, membro da direcção daquele monstro financeiro, referindo-se à criação de um «espaço colonial», proclamava que «a escolha dos países adequados para uma activa política de capital não apresenta hoje qualquer dificuldade para a Alemanha. (…) O espaço europeu oferece à nossa esfera de influência política ricas e vantajosas possibilidades para satisfazer os limites da nossa capacidade.»

Libertado Auschiwtz, o imperialismo e o militarismo nunca se conformaram com a derrota do nazi-fascismo. E com o fim da URSS e do socialismo na Europa do Leste despertou de novo a agressividade e o apetite do monstro revanchista. Actualmente, a Alemanha é, na UE, o maior exportador de instrumentos de morte. Como accionista directo ou indirecto de vários grupos armamentistas, o Deutsche Bank é um dos principais beneficiários dos objectivos belicistas prosseguidos pela Agência Europeia de Defesa (EDA) e inscritos no chamado «Tratado de Lisboa».

Para sustentar este novo programa de expansão imperialista, os trabalhadores e os povos estão a ser submetidos a sacrifícios até há pouco inimagináveis. Longe vai o tempo em que o capitalismo celebrava euforicamente o desaparecimento da União Soviética e proclamava o fim da história e o advento de uma nova época de paz, progresso social e segurança internacional. Hoje, o grande capital mostra diariamente que o objectivo supremo do sistema não é servir o homem mas obter o máximo de lucro. É por isso que «em vários pontos do mundo os povos tomam nas suas mãos a defesa dos seus direitos e da soberania dos seus países, resistem nas mais variadas formas e impõem revezes à estratégia de dominação do imperialismo» (CC do PCP de Novembro 2010). Como se salienta na Resolução Política do XVIII Congresso do PCP, «nunca foi tão verdadeira a tese marxista de que, libertando-se, a classe operária liberta simultaneamente todas as outras classes e camadas oprimidas pelo capital monopolista, o que hoje significa libertar a humanidade».

* Analista de política internacional

Este texto foi publicado no Avante nº 1.941 de 10 de Fevereiro de 2011.

Fonte: http://www.odiario.info/?p=1971

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