Liberdade é conhecer a necessidade para desviar-se da fatalidade!


Engels escreveu que “a necessidade só é cega enquanto não é compreendida. A liberdade consiste em conhecer a necessidade” (Engels, Anti-Dühring). Conhecer a necessidade é fundamental para mudar a realidade e mudar a realidade é escapar à fatalidade, é não ser mero reflexo, é desviar-se.

Marx e Engels foram influenciados por Epicuro (lembremos da tese de doutoramento de Marx). Se o capitalismo hoje é uma fatalidade, ser livre é lutar para desviar-se dele, superá-lo! Para desviar é necessário conhecer a necessidade. Liberdade é conhecer a necessidade para desviar-se da fatalidade!

Epicuro

O atomismo

Epicuro defendia ardorosamente a liberdade humana (…) O atomismo, acreditava o filósofo, poderia garantir ambas as coisas desde que modificado. A representação vulgar do mundo, com seus deuses, o medo dos quais fez com que se cometessem os piores atos, é obstáculo à serenidade. Todas as doutrinas filosóficas, salvo o atomismo, participam dessas superstições.

No sistema epicurista, os átomos se encontram fortuitamente, por uma leve inclinação em sua trajetória, que o faria chocar com outro átomo para constituir a matéria. Esta é a grande modificação em relação ao atomismo de Demócrito, onde o encontro dos átomos é necessário. A inclinação a que o átomo se desvia poderia ser por uma vontade, um desejo ou por afinidade com outro átomo. (…) Certo é que este encontro fortuito dos átomos que garante a liberdade (se assim não fosse, tudo estaria sob o jugo da Natureza) e garante a explicação dos fenômenos, sua elucidação, fazendo com que possam ser explicados racionalmente. Assim, ao compreender como opera a Natureza, o homem pode livrar-se do medo e das superstições que afligem o espírito. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Epicuro)

Aqui são retirados os fundamentos de uma “interpretação” determinista de Marx, seja na luta política mais direta (II Internacional e etapismo) onde o socialismo é tido como inevitável, portanto basta cruzar os “braços e aguardar”, seja na academia (pós-modernismo) que afirma um Marx “antiquado”, “determinista”, “ultrapassado”.

Conhecer a necessidade é fundamental, sem teoria revolucionária estamos (o proletariado) fragilizados na luta de classes. Porém o conhecimento não é suficiente, é preciso mudar as condições, mudar a realidade, a famosa 11 tese sobre Feuerbach Marx fulmina: “Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo”.

Liberdade não é “fazer o que se tem vontade”, como alertava Epicuro, o desejo pode ser manipulado. Para ser livre é preciso conhecer e transformar a realidade que suprime a liberdade. O proletariado “tem um mundo a ganhar”, portanto pode assumir o projeto de emancipação de si mesmo e dessa forma humanidade (atualmente dividida em classes). Conhecer para escapar à fatalidade, atuar para mudar as condições escravizantes. Isso só se faz coletivamente. O protagonista desse projeto social é o proletariado. Nessa luta estratégica é preciso superar o mero espontaneísmo. Avante camaradas!

Dario da Silva

 

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