Grécia, a Construção do Futuro nas lutas do Presente


Heitor Cesar R. de Oliveira (*)

Num clima de perfeita camaradagem, reuniram-se na Grécia nesse mês de Setembro comunistas de todo o mundo; camaradas de Cuba, Venezuela, Brasil, Portugal, Espanha, Bélgica, Rep. Tcheca, Letônia, Rússia, Servia, Grécia, Chipre, Turquia, Líbano, Egito, Palestina, Nepal.

Diversos idiomas não atrapalhavam na hora de cantarem a “Internacional” ou então de entoarem palavras de ordem de mobilizações e lutas puxadas pelos Gregos. Nesse clima que comunistas de todos os continentes estavam prestigiando o 37° Festival da KNE (Juventude Comunista da Grécia, a Juventude do Partido Comunista da Grécia – KKE), que assim como o Partido Comunista da Grécia vem construindo um forte movimento não apenas de resistência, como de contra ofensiva ideológica, social e política, onde mais que a mensagem, apresenta o exemplo de sua luta contra o aprofundamento das contradições do Capital na Grécia.

Todos os dias os delegados internacionais cumpriam uma extensa agenda política, reunião com o sindicato dos trabalhadores da indústria naval, um importante sindicato grego na luta contra as “modernizações” impostas pelo FMI e muito bem acatadas pela elite grega, visita à praça do massacre dos membros dos comunistas e demais membros da resistência à ocupação nazista durante a II Guerra Mundial, visita ao Comitê Central do KKE, para apresentação da análise da situação política, econômica e social desenvolvida pelo KKE e apresentada pela Secretaria Geral Aleka Papariga. E a participação no seminário Internacional promovido pelo KKE e pela KNE, onde as organizações comunistas internacionais foram convidadas a fazer sua intervenção (segue em anexo a intervenção da UJC / PCB ao seminário Internacional) apresentando suas organizações, suas conjunturas e suas lutas. Nossa participação enquanto UJC / PCB no festival e seminário foi a única organização brasileira no festival e seminário.

No último dia participamos de uma importante reunião com a PAME (Frente Sindical) que desenvolve intensa participação como vanguarda nas lutas travadas pelos trabalhadores na Grécia, mobilizando e organizando a classe dos trabalhadores para as lutas.

Nessa reunião foram apresentadas as formas de mobilizações e lutas que a PAME utiliza bem como a difícil realidade de um país onde as elites econômicas em sincronia com os ditames das burguesias internacionais seguem as orientações do FMI.

Ao final de todas as tardes, as delegações comunistas internacionais, compostas por juventudes e por partidos comunistas iam ao local do festival, onde todas as organizações ficavam espaços próprios para apresentar a realidade, a luta, suas organizações aos comunistas gregos e ao conjunto dos trabalhadores, que circulavam e participavam do festival.

Porém, o grande momento ocorreu na última noite de evento, onde realizou-se um forte ato de massas organizado pelo KKE e pela KNE, em que milhares de comunistas com centenas de bandeiras marcharam pelo festival, culminando com a intervenção da camarada secretaria geral do KKE em que foram apresentados elementos da luta dos trabalhadores gregos, das demandas dos comunistas nestes dias de fortes lutas e mobilizações, as necessidades organizativas, as escolhas políticas pela luta e não pela conciliação, pela mobilização e não pela apatia.

Ao término do ato foi cantada pelo conjunto dos militantes A Internacional, não carecendo de tradutores. Pois a mensagem era a mesma. A mesma apresentada por Marx e por Engels, a da unidade da classe trabalhadora na luta contra o capitalismo como a necessária condição de vitória.

Na Grécia, onde o capitalismo se apresenta de forma selvagem, onde os direitos da classe dos trabalhadores são atacados, e todo um conjunto de reformas são apresentadas para preservar a estrutura do capitalismo, existe um Partido Comunista que compreende seu papel histórico como agente da mudança, como construtor do novo, que, no presente, constrói o futuro através da luta de classes.

(*) Heitor Cesar R. de Oliveira é Membro do CC do PCB

A seguir a saudação ao 37° Festival da KNE.

Saudação da UJC e do PCB ao 37º Festival da KNE

Aos camaradas da Juventude Comunista da Grécia

Aos camaradas do Partido Comunista da Grécia

Nós, do Partido Comunista Brasileiro e da União da Juventude Comunista, trazemos um fraterno e caloroso abraço de nossos militantes.

Compreendemos que a crise capitalista de hoje é continuidade das medidas tomadas há três anos para tentar salvar o grande capital financeiro e os grandes bancos que especularam e sugaram enormes massas de valores produzidos, num movimento irracional de acumulação fictícia em escala global.

A crise é de todo o sistema capitalista, muito mais profunda do que a simples oscilação das bolsas de valores permitem enxergar. O que vemos hoje é a expressão de uma crise estrutural muito mais séria que qualquer crise cíclica anterior.

É estrutural, pois possui um caráter universal. A crise não é reservada a um ramo específico da produção, ou estritamente financeiro; e não envolve apenas um número específico de países;  assumiu uma linha cronológica contínua e seqüencial,  diferentemente dos períodos de crises cíclicas em que, após certo tempo, os capitalistas conseguiam superar suas contradições mais imediatas.

O aprofundamento do desemprego, o alto endividamento dos trabalhadores, e a retirada de direitos básicos da população, são alguns dos efeitos perversos que os capitalistas repassam para o povo. Neste contexto, as grandes potências imperialistas reforçam seu caráter belicista como uma maneira de movimentar sua indústria bélica, além de usurpar riquezas naturais valiosas.

A luta do povo grego, com a decisiva participação do Partido Comunista da Grécia e da Juventude Comunista, mostrou para o mundo que os povos podem assumir o protagonismo na ação política, e não ficar à espera das condições ideais para a ação política, assumindo o papel de atores e de fato intervindo na realidade da Grécia, servindo de exemplo para os povos e os trabalhadores de todo o mundo.

Sua mensagem para os povos da Europa não atingiram somente o velho mundo, mas serviram como calorosas palavras para incentivar a luta em todo o mundo. O internacionalismo militante dos comunistas gregos colabora para além do exemplo, como também para incentivar nossa ação de retomada de lutas em todo mundo.

Cada vez mais fica claro para o conjunto dos comunistas, que não há mais espaço para alianças com a burguesia, que não mais existe espaço para uma suposta humanização do capitalismo, espaço para reformismo, ou seja, cada vez mais fica claro, que não existe saída dentro do capitalismo e da colaboração de classes, mas apenas através da revolução socialista.

O mundo já não mais comporta as contradições criadas pelo capitalismo, cada vez mais a barbárie se aproxima no horizonte. O capitalismo e suas crises destroem a humanidade…

Gostaríamos de falar um pouco sobre o Brasil, onde uma aliança entre setores oriundos da esquerda juntamente com setores representantes do capital, que impulsionaram o Brasil, desde os dois mandatos do Governo Lula e esse primeiro da Dilma a assumir um maior protagonismo internacional, não como pólo alternativo, não como pólo democrático e progressista, mas sim como uma nação imperialista emergente, que se expande internacionalmente em várias regiões do mundo, América Latina, África, Ásia. Se internacionalmente a burguesia brasileira cumpre seu papel imperialista, nacionalmente cumpre papel dirigente, reprimindo movimentos sociais de um lado e atrelando outros, os castrando politicamente e os tornando correia de transmissão da política do governo, é assim no movimento sindical, é assim nos movimentos de juventudes. Aliando-se a setores da especulação imobiliária, do capital financeiro, conduzindo um conjunto de transformações conservadores e voltadas aos interesses do grande capital, abrindo o Brasil para empreendimentos do capital internacional, atacando os direitos da classe trabalhadora, promovendo remodelamentos dos espaços urbanos para os interesses das elites nacionais e internacionais.

Não existe espaço mais no Brasil para uma aliança dos trabalhadores com setores da burguesia, a burguesia brasileira está atrelada ao capitalismo internacional e nós, comunistas brasileiros do PCB e da UJC não compreendemos possibilidade de uma aliança de classes no Brasil, mais do que nunca é necessário afirmar o conteúdo de classes de uma frente anticapitalista e antiimperialista no Brasil, que possa reaglutinar e reorganizar o movimento da classe dos trabalhadores e conduzir para um processo de transformação radical em nossa sociedade. Para nós do PCB é necessária a construção de um processo no Brasil de caráter socialista, apresentar no cotidiano das lutas dos trabalhadores e da juventude os elementos da superação do capitalismo a proposta dos comunistas, e assumir declaradamente nosso lado na luta de classes.

Por isso, falar em luta hoje antiimperialista é falar em defesa da criação do Estado Palestino.

Falar em luta antiimperialista hoje é defender os Cinco heróis cubanos;

Falar em luta antiimperialista hoje, e se solidarizar com a luta dos bravos combatentes das FARC – EP e do Partido Comunista Colombiano, que lutam de formas variadas contra o Estado terrorista colombiano

Falar em luta antiimperialista hoje é defender os trabalhadores em luta em todo o mundo contra uma burguesia cada vez mais articulada internacionalmente. Por isso, falar em antiimperialismo é compreender sua conexão, hoje inseparável, com a luta anticapitalista. A única forma de levar adiante a luta antiimperialista, é entender que não se trata de escolher qual imperialismo devemos escolher, se é o do MERCOSUL, se é o da Unirão Européia, se são os EUA, se é do BRIC, mas sim negar e lutar contra todos os imperialismos, conduzindo uma luta anticapitalista, escolhendo um lado, o dos trabalhadores contra o capital.

Portanto, é cada vez maior e urgente a necessidade de reforçar a unidade dos Partidos Comunistas verdadeiramente revolucionários, para articular mundialmente a luta anticapitalista e antiimperialista. O Encontro Mundial dos Partidos Comunistas e operários que se realizará aqui na Grécia no início de Dezembro pode dar um passo importante nesse sentindo.

Por isso afirmamos…

Fomos, Somos e Seremos Comunistas

Viva a KNE, Viva o KKE!

Longa vida aos que lutam! Viva o Socialismo!

Viva a humanidade!

Socialismo ou Barbárie!

Atenas, Grécia 16/09/2011

http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3081

Anúncios

Um comentário em “Grécia, a Construção do Futuro nas lutas do Presente

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s