Confesso que vivi – Pablo Neruda


Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto, quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o “preto no branco” e  os “pontos nos is” a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.

 Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

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Um comentário em “Confesso que vivi – Pablo Neruda

  1. Bom dia! Adorei o texto, poema, sei lá acima! Estava procurando algo de Pablo Neruda que remetesse a “Confesso que Vivi” para ler para algumas turmas de jovens em final de curso, achei! Muito obrigado! É maravilhoso, não sou tão jovem, mas cmom tudo é uma questão de espirito,alma então sou!
    Vou ler para eles, só preciso decidir se será no final ou no começo!
    Mais uma vez obrigado!
    Um abraçaço!
    Rildo.

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