por que entrei em um partido político


mariliamoscouPor Marília Moscou

[aviso de textão: o texto é longo. leiam com calma, especialmente aquelas e aqueles que têm procurado refletir sobre militância e ação política nos dias de hoje, e quem está insatisfeito/a ou desiludido/a com as opções que têm aparecido pela frente. o que trago aqui parte do velho e se torna novo, prometo, frente aos fatos que temos vivido cotidianamente desde 2013. boa leitura!]

Minha história de militância é longa, para alguém com menos de trinta anos. Comecei cedo, quando um colega no ensino fundamental me chamou para fundar um grêmio estudantil. O ano era 1999. Até então, só havia me engajado em atividades políticas de meus pais: passeatas pelo impeachment do Collor, manifestações pelas eleições diretas, assembleias do sindicato dos bancários. Cordão umbilical cortado, passei a atuar no movimento estudantil sem filiação a nenhum partido ou coletivo em específico.

Nesses dezesseis anos de militância, ativismo e engajamento político (tenho mais anos de vida como militante do que sem), experimentei muitas formas de me organizar. Estive no movimento estudantil secundarista e em sua fração universitária. Fui do grêmio estudantil a uma articulação entre grêmios, passando pela proximidade com vários partidos (em especial com seus setores de juventude) que iam desde o PT até o PC Marxista-Leninista, incluindo no caminho PCdoB/UJS, PSTU e PCO. Me mantive do lado de fora, pois sentia que não queria me prender a nenhum tipo de orientação partidária. Estive em três edições do Fórum Social Mundial na cidade de Porto Alegre, escrevendo para jornais independentes e acompanhando oficinas organizadas por feministas. Participei politicamente de outros movimentos de juventude – como o movimento escoteiro -, vi a coordenadoria de juventude de Sampa surgir na gestão de Marta Suplicy e organizei com companheiros de militância os fóruns de jovens da cidade, os Forrós Sociais Mundiais e diversas atividades políticas entre grêmios estudantis de escolas públicas e privadas da zona oeste de São Paulo. Estive numa embrionária – mas infelizmente fracassada – tentativa de organizar um Movimento Pelo Fim do Vestibular.

Um pouco mais tarde, quando me mudei de São Paulo para cursar Ciências Sociais na Unicamp, minha militância se encaminhou para uma nova fase. Sobretudo a partir de 2005, atuei junto a ONGs locais, nacionais e internacionais, fiz trampos com setores da ONU, fui à Rio+20 fazer lobby pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres nos comitês de negociação e em debates propostos pela organização que eu representava. Na segunda metade da década de 2000 abandonei progressivamente o movimento estudantil e as disputas institucionais, e me afastei mais e mais dos partidos políticos, passando a fazer parte de coletivos independentes como o Coletivo Feminista da Unicamp. Também participei ativamente da criação e consolidação do coletivo virtual Blogueiras Feministas. Nesses últimos dez anos realizei também uma quantidade razoável de ações individuais, de maneira independente, tanto na internet por meio dos blogs, sites, textos e afins, quanto fora dela com cursos, palestras, apoio a outras pessoas interessadas em se engajar, grupos de estudos etc.

Neste ano de 2015, depois de muita reflexão e de um incômodo que eu não sabia muito bem nomear com o tipo de militância em que estava envolvida, decidi me juntar a um partido político. Não foi de repente, nem sem muito debate, pesquisa, auto-crítica e auto-reflexão. Esse é o processo que desejo compartilhar com quem me alcança através da internet – e que, como devem ter notado, se deu completamente offline. Da mesma forma como havia me afastado dos partidos, da política institucional e do movimento estudantil, entre 2014 e 2015 me afastei da militância virtual, da internet, dos blogs, das colunas em sites. Longe de dar satisfação ou prestar contas, escolhi compartilhar um pouco desse processo com vocês porque as reflexões que elaborei ao longo desse tempo me pareceram valiosas para qualquer pessoa disposta a fazer autocrítica sobre a própria militância.

os eventos de 2013 e a necessidade de um partido

Comecei a pensar seriamente em me juntar a um partido político depois do que vivemos em 2013. Eu havia, no início dos anos 2000, experimentado um momento de esgotamento e desgaste bruto do modelo capitalista neoliberal, vivido pelas pessoas não-militantes como um descontentamento geral em uma situação de crise – como de costume, sem dar nome aos bois; a crise é vivida, no senso-comum, como um fenômeno natural, como uma chuva forte que vai passar (daí a inspiração para este meu poema). Naquela ocasião acreditei, com muitos companheiros e companheiras de luta, que a saída pela política institucional – um partido de esquerda no poder, liderado por Lula – poderia ser algo positivo. Assim como o que havia ocorrido na prefeitura de São Paulo durante as gestões de Erundina e Marta, o governo federal se abriria a um debate, e a inserções dos movimentos sociais – incluindo aí todo um pedaço da militância formada no seio dos anos 2000, como eu, que não se filiava a partidos mas se articulava em coletivos, fóruns de bairro, ativismo digital. De fato, vivemos esse momento nos governos Lula. A realização das conferências participativas temáticas, a ampliação das universidades federais, a popularização do ensino superior (ainda que em parcerias público-privadas, o que era visto como uma medida temporária e paliativa por otimistas – eu, inclusive), o alargamento de programas sociais de distribuição de renda: tudo isso fazia parecer pessimista demais uma perspectiva de oposição ao governo Lula, ainda que fossem facilmente reconhecíveis naquela gestão as marcas do interesse privado e do capital (a inclusão social primordialmente operada a partir do consumo de bens e serviços de empresas privadas, por exemplo, mesmo quando se tratasse de educação – caso do Prouni).

As tensões que começaram a subir à superfície no ano de 2013 deixaram evidente que essas marcas haviam se espalhado, e que a gestão de Dilma (pela qual eu fiz campanha) seria problemática nesse sentido. Analisando a conjuntura na época da primeira eleição de Dilma, com a presença do PMDB na vice-presidência (que, ainda que tenha uma linha política semelhante à do PL, que ocupou as vice-presidências de Lula, definitivamente tem muito mais poder no jogo político), entendi que essa decisão levaria o PT e o que as gestões de Lula haviam conseguido construir para o buraco; sem Lula o PT perdia (e perdeu) o poder de barganha da mobilização de massas, que era a moeda de troca para que não se curvassem inteiramente aos interesses de classe mais puros dos grupos dominantes (especuladores, herdeiros, donos de grande fortunas e grupos empresariais como os barões da comunicação). Infelizmente, em 2013 e durante a campanha eleitoral de 2014 (este ano de 2015, então, nem se fala), minha análise de conjuntura se mostrou razoavelmente acurada.

Foi justamente aí que a militância “independente” que eu vinha fazendo, e os espaços dos coletivos autônomos, passaram e me parecer cada vez mais insuficientes. O primeiro mandato de Dilma e os desdobramentos políticos de 2013 deixaram claro que estávamos perdendo. Nós, militantes e ativistas de direitos humanos, de minorias sociais, da construção de um mundo mais igualitário, estávamos sendo esmagados pela tentativa pífia de conciliação de classes na qual o PT insistia (e insistia com o apoio de vários setores da esquerda que, como eu, ainda estavam apegados ao otimismo do que havia se passado na década anterior durante os mandatos de Lula), de um lado, e pelos interesses de crescimento e lucro dos grupos eternamente dominantes do capitalismo global – representados, aqui, por uma fatia da elite herdeira historicamente constituída e consolidada (escrevi mais ou menos sobre esse processo pelo qual certos grupos vêm se mantendo no poder no Brasil há tanto tempo, aqui).

Pois bem, estávamos perdendo. O que fazer?

Nenhum coletivo de ativismo me parecia suficiente. Dizer-me “feminista independente”: o que significava isso no contexto político que começara a se formar? O ano de 2013 havia me mostrado – como a muita gente – a importância política de um posicionamento explícito. Eu, que sempre fui comunista (ainda que guardasse em meu coração eternamente adolescente um carinho enorme pelo anarquismo), percebi que ninguém sabia que eu era comunista. Textos que eu havia publicado na internet eram apropriados por grupos conservadores – e passei então a colocar, antes de cada texto, um aviso de que eram textos de esquerda (ah, a péssima qualidade de leitura dos conservadores…). Mudei meu sobrenome no Facebook para “de esquerda” na esperança de que os conservadores parassem de me seguir achando que, quando eu criticava o governo Dilma, estava querendo dizer que Aécio ou Marina teriam sido melhores. Nessa época, muitos amigos e amigas que nunca tiveram uma vida militante se “descobriram” de esquerda. Aqueles e aquelas que já se entendiam de esquerda, também passaram por processos semelhantes de posicionamento: surgiram em meu Facebook outros sobrenomes “de esquerda”, mas também “anarquista”, “comunista”, “socialista”. Confesso que achei bonito de ver, embora o contexto político que exigisse essa declaração explícita fosse por vezes bem feio.

“Sair do armário” não é uma tarefa fácil, embora seja politicamente fundamental. A saída do armário como comunista em um momento de avanço das ideologias conservadoras mostra que existimos. Assim como as feministas passaram, na segunda metade dos anos 2000, no Brasil, por uma espécie de “saída do armário” coletiva que permitiu ao feminismo se disseminar cada vez mais (ainda que apanhando na cabeça o tempo todo), o mesmo parecia ocorrer com alguns grupos de esquerda. Essa saída do armário diz que existimos, que estamos aqui, que nossa luta é real e concreta – e não um episódio deixado às traças em livros de história. A história é viva, a fazemos todo o tempo, e ela não acabou.

Dizer-me de esquerda ou comunista, porém, não parecia significar grande coisa sem uma atuação política nesse sentido. Não tinha certeza, porém, se me articular em um partido seria a melhor das opções em relação a isso. Afinal de contas, eu era comunista, mas também era feminista – e, mesmo sem saber muito bem o motivo, não me parecia muito sensato criar ou me filiar, caso existisse, a um “partido feminista”. Era uma dúvida legítima sobre o que significaria “entrar em um partido”, algo que minha intuição me dizia que faria sentido mas eu tampouco sabia explicar. Se eu não acreditava mais em eleições como forma de transformação social, eu acreditava em “partido”? O que era, afinal, “partido”?

Quando comecei a pensar seriamente sobre a questão, me lembro de perguntar a amigas ativistas o que achavam de minha entrada em algum partido. Sem contar aquelas que já faziam sua militância em partidos, a resposta massiva que recebi foi: “não faça isso, você vai se queimar e perder seus seguidores, admiradores, leitores; sua influência vai diminuir, em vez de aumentar”. Eu sabia muito bem quais eram os incômodos dessas amigas – e de muitas pessoas que acompanharam minha militância nessa “segunda fase” – com os partidos políticos. Retomei, então, na época, minha própria história com a militância partidária.

O pensamento “anti-partido” que muitas pessoas reproduziam e reproduzem em coletivos autônomos e ativismo digital me parecia cada vez mais mal informado e superficial. Uma rejeição à política institucional eleitoral – o que eu compreendia perfeitamente – mas que, ao mesmo tempo, não propunha nenhum tipo de projeto. Ficava às margens dessa estrutura, tecendo críticas e propondo modelos “alternativos” que me pareciam em certa medida infantis pois não lidavam com o problema, e se alimentavam de uma fantasia de que a ação individual ou de pequenos grupos isoladamente poderia combater toda uma estrutura (sendo que essa própria estrutura impunha os limites e formatos desses grupos, de suas ferramentas e de sua ação). De alguma maneira, quando essas pessoas me disseram que eu não deveria entrar num partido, minha intuição me disse que isso parecia um reforço da minha impressão de que entrar num partido seria mesmo a melhor coisa a fazer. Decidi maturar a ideia com alguma calma.

O que é um partido?

O momento de virada, para mim, foi quando almoçava entre amigos num boteco qualquer e, metida a visionária, quis apresentar a genial ideia de construir um coletivo que intersecionalmente desse conta de um projeto mais amplo de sociedade, integrando igualdade de gênero, igualdade racial, fim da monogamia compulsória, fim do capitalismo, etc., numa mudança estrutural e cultural significativa. Ao que uma pessoa que admiro muito me disse: “Ok, você quer propor então um partido?”. Me detive. Eu queria propor um partido? Tentei explicar minha ideia ainda na chave do “coletivo”. A mesma pessoa então me disse: “Qual é a diferença disso para um partido?”. Se eu tivesse menos familiaridade com a ciência política, teria dito talvez que um coletivo não disputa eleições. Mas eu sabia, em teoria e prática, que partidos não necessariamente disputam eleições, e sempre detestei esse atrelamento do papel do partido ao papel eleitoral, que eu ouvia nos discursos menos informados politicamente. Não precisei voltar aos livros, a Lênin, nem a minhas próprias memórias militantes para saber que, de fato, o que eu estava procurando era um partido.

Recobrando minhas leituras e reflexões anteriores, e reelaborando minha história de militância e minha formação acadêmica, consegui finalmente explicitar para mim mesma o que significava o partido: um projeto integrado de sociedade. Identifiquei pouco a pouco o que me incomodava nos coletivos autônomos: sua insuficiência em propor um projeto integrado, ao agregarem pessoas a partir de um ponto único (a partir do gênero, ou da raça, ou do local de moradia, etc), e não de um corpo ideológico mais amplo e complexo que englobasse essas questões, mas perpassasse também outras.

Um partido pra chamar de meu

Passei então a pensar em como eu poderia escolher um partido. Que critérios eu utilizaria? O que me parecia importante para que eu sentisse que poderia efetivamente contribuir com a militância num grupo? Que grupos me pareciam ter espaço aberto para disputas políticas (e não eleitoreiras)? Assim me apareceu o Partido Comunista Brasileiro.

Como muitas pessoas, eu também compartilhava da visão estereotipada de que o PCB era um partido de velhinhos comunistas ortodoxos, que não teria muito espaço para disputa (ou para questões feministas, LGBT, e outras pautas que muitos marxistas veem como “pós-modernas”) dada a estrutura do centralismo democrático, e que contaria com uma militância pré-programada, cartilhesca. Muito felizmente, eu estava enganada. Ao conhecer mais de perto a história recente do partido (sobretudo a partir do racha que formou o PPS) e o estado atual de sua militância, vi ali uma coletividade em que me senti extremamente contemplada.

Em primeiro lugar, porque em vez de rejeitar qualquer coisa que soasse teórica ou acadêmica como fazem os coletivos autônomos, a militância online e várias tendências de alguns partidos (num estereótipo bem capenga do que “teoria” e “academia” significam, vale dizer), o PCB tem uma preocupação muito central com esse tipo de diálogo, pois compreende que o trato com essas questões são parte essencial de uma militância bem formada, coesa, e da construção de um projeto revolucionário e de sociedade mais sólido. Isso ficou evidente pra mim ao conhecer seus militantes, e também ao conhecer a própria organização do partido – e a cada dia, e cada atividade, essa característica do partido me agrada mais e mais.

Em segundo lugar, porque o debate e as ações políticas são colocadas coletivamente (e isso tem bastante a ver com a proposta de centralismo democrático, e a organização leninista da atividade política, que se revelaram para mim pontos fortes e muito bem-vindos da militância no PCB), numa lógica de solidariedade. Sei que parece um contrassenso afirmar que “coletivos” autônomos partem de uma perspectiva individualizada – mas é exatamente o que estou afirmando.

A militância dos coletivos, online e offline, é centrada na ideia de indivíduo e de individualidade, o que gera dois fenômenos que em algum ponto se tornaram insuportáveis para mim: de um lado, um debate que ronda apenas os umbigos e experiências pessoais dos seus ativistas; de outro, uma dificuldade muito grande em propor projetos integrados e coesos de ação, de estratégia e de objetivo final (qual a sociedade que queremos construir?), uma vez que o mito do consenso entre indivíduos apaga a condição real e permanente de disputa política e ideológica de ideias e sobrepõe ao processo coletivo de construção da realidade a necessidade de “se sentir contemplado” enquanto indivíduo em cada proposta e decisão. O texto de autocrítica de Lucas-Legume, do MPL, publicado no dia 04 de agosto deste ano, traduz muitos desses meus incômodos com uma militância de que fiz parte por longos 10 anos (clique aqui e leia “O Movimento Passe Livre acabou?”).

Passei a não me sentir mais contemplada em grupos em que a individualidade era um valor soberano (se confundindo inclusive com a ideia de sujeito, e de sujeito político) – afinal, meu desejo político mais pulsante é construir uma sociedade que seja radicalmente outra, que opere em outra lógica; não me parecia mais possível fazer isso ao reproduzir no espaço de militância uma das piores características desta nossa atual maneira de estruturar a sociedade, que é justamente o individualismo exacerbado enquanto ideologia cultural e política.

Ao contrário do que eu mesma havia visto em diversos partidos – inclusive em vários partidos de tendências que dão uma importância desproporcional às eleições (como penso ser o caso do PSOL, por exemplo), constituindo sua dominância interna em geral a partir da capacidade de mobilização de massas e votos, e não a partir da disputa político-ideológica interna – os espaços do PCB se mostraram espaços em que predomina a importância da coletividade e a construção conjunta (sobretudo nos momentos de disputas de ideias e diálogos entre lados divergentes, o que é excelente). Isso é diferente, ao contrário do que a propaganda ideológica anti-soviética e anticomunista impregnada em nosso senso-comum diz, de uma anulação dos sujeitos e de suas possibilidades de ação. Esse “clima” não se configura por uma espécie de “iluminação” individual ou confluência de valores individuais, mas por decisões coletivas (muito sensatas, a meu ver) que vêm sendo feitas desde os anos 1990 e que incidem sobre diversas camadas da existência do partido – de sua estrutura à sua expressão pública, passando pelas atividades e ações políticas de seus militantes.

A terceira e última característica do PCB, que não encontrei em nenhum outro partido, foi a abertura para disputa de ideias em todas as instâncias internas do partido. Contrariando os mitos que rondam o partido mais antigo do Brasil, combatido fervorosamente ao longo da história por todas as forças conservadoras que existiram no país, o PCB não é um “partido stalinista” que tem uma linha única de marxismo considerada aceitável para seus militantes. Muito pelo contrário, a diversidade do PCB se mostra cada dia mais efetiva e interessante, uma vez que, diferentemente do PSOL e outros partidos de tendências, os grupos divergentes não se isolam em “guetos” (as tendências) e conseguem um diálogo e uma disputa permanentes uns com os outros no seio do partido.

Todas essas características dizem respeito a percepções que tive antes mesmo de efetivamente participar das atividades do PCB, apenas conhecendo melhor seus militantes, sua história e sua configuração atual. Bastou que eu desejasse me informar melhor quando decidi entrar em um partido mas tinha muitas ressalvas ao PSOL, sobretudo pelo fato de sua disputa interna estar fortemente atrelada à disputa eleitoral. Felizmente essas percepções se confirmaram e tenho podido desenvolver, na medida que meu extensivo trabalho no doutorado permite, uma militância sólida que muito me satisfaz.

O meu partido é a única solução?

Não penso, contudo, que  o PCB seja a única e nem necessariamente, a melhor escolha para todas as pessoas que também estão insatisfeitas com a militância em coletivos autônomos e procuram rever suas estratégias de luta, articulando-se em partidos. Eu me encontrei, em diversos sentidos, neste partido. Nem todas e todos necessariamente se encontrarão. A revolução não será organizada por um único partido, nem por um único grupo, penso eu. Me parece que a diversidade de grupos e possibilidades na esquerda organizada seja mais um bem do que um mal, contanto que consigamos nos articular nessa luta.

Para que nossa articulação possa ser efetiva, porém, é necessário transpor algumas barreiras – como a militância “individualistocêntrica” e os mitos que rondam os tais “coletivos autônomos”. É preciso nos construirmos, a partir daqui, mais como sujeitos e menos como indivíduos – e aí está o primeiro passo para que efetivamente sejamos capazes de solidariedade. Uma mudança efetiva, que bote de pé uma outra sociedade, que rompa o que temos pela base – ou seja, uma revolução – só poderá acontecer se partir desses princípios. Foi precisamente por isso que decidi me articular dentro de um partido, por um projeto integrado de sociedade; por uma sociedade que opere em outra lógica, sobre outros princípios – porque estes que temos estão nos matando.

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