Vamos falar sobre reacionarismo pseudo-progressista!


Jones Manoel

Uma das maiores conquistas das ciências humanas através do materialismo-histórico [marxismo] foi compreender que TODAS as relações sociais são radicalmente históricas! Isso significa que todas as formas sociais de uma época se reproduzem devido a determinadas condições econômicas, sociais, políticas e ideológicas que são passíveis de transformação [ou permanência] através da ação política coletiva (a famosa luta de classe!). Quando se diz que alguma relação sociail sempre existiu e sempre vai existir, não sendo passível de transformação, retirando-a da história, você é um reacionário na teoria! Está preso a um paradigma típico do positivismo mais bizarro do século XIX – o irônico é que a mulher que esse escreveu esse post se acha não “eurocentrada”, mas repete tudo que Herbert Spencer gostaria de ouvir!

Esse post repete noções que comparecem na obra do Carlos Moore. Eu afirmo todo dia que temos que COMBATER esse tipo de ideologia por causa disso. O aparente radicalismo anti-racista é na verdade um conformismo reacionário: é impossível superar o racismo, logo, vamos construir uma “comunidade só nossa”, sem brancos (sabe deus como faremos isso), aí um dia (ninguém sabe quando), viveremos sem racismo.

O combate ao racismo é signo de uma prática política identificada como de “esquerda” ou “progressista”, mas é totalmente possível “combater” o racismo e ser conservador teórica e politicamente. E esse é um bom exemplo.

Para concluir, em outro post Gilza afirmou que o marxismo é “eurocêntrico” e “ideologia branca”. Franz Fanon, um dos maiores nomes da luta de libertação negra e anticolonial, batalhou sua vida toda para demonstrar que o racismo e a dominação colonial não era produto de diferenças fenotípicas entre brancos e negros ou outras explicações fantasiosas como a “maldade do branco” ou o “peso do cristianismo”. Fanon mostrou o racismo e o colonialismo como um SISTEMA DE DOMINAÇÃO que tinha seu fundamento as relações de produção e a desigualdade de poder – não à toda o nosso revolucionário era tão ligado ao movimento Terceiro-mundista.

Gilza, ironicamente, está mais próxima do positivismo europeu do que do grande Fanon!

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