O mundo pós Marilena Chauí


Nos últimos anos a esquerda democrática-popular através dos seus vários intelectuais, em especial Marilena Chauí, produziu um tipo de discurso teórico que excluía da luta política categorias como luta de classe, Estado burguês, imperialismo, revolução, estratégia e tática etc. Todo projeto de conciliação de classe, de submissão dos trabalhadores e movimentos sociais à burguesia, precisa, necessariamente, criar todo um arcabouço teórico que legitime esse projeto: por isso as ideologias sobre “nova classe média”, “fim da fome”, “fim da pobreza”, “novo desenvolvimentismo”, “país emergente”, “redução das desigualdades” etc. – ideologias todas falsas e que não se sustentam com o mínimo de uma crítica séria.

Pois bem, no meio desse processo, Chauí, ex-filósofa e atual ideóloga, produziu por anos uma ideologia que colocava a “classe média” como o principal inimigo a ser combatida. Palestras, textos, livros e até documentários esqueciam, convenientemente, a grande burguesia e o imperialismo. O discurso da “classe média” como “fascista” e maior inimigo se encaixava como uma luva na lógica do bloco petucano: PT como representante do “povo” e PSDB como representante da “classe média” e da “elite”. Nessa falsa polarização a verdadeira classe dominante dormia seu sono dos anjos – afinal, “nunca antes na história desse país os bancos lucraram tanto”.

Depois dos últimos acontecimentos, meio que a força e contrariados, nossos intelectuais petistas e a esquerda democrática-popular estão sendo obrigados a falar da classe dominante, da luta de classe, da exploração da força de trabalho e até – que surpresa – do imperialismo! O mundo pós-Marilena Chauí não significa que toda ideologia produzida nos últimos anos sumiu; o nó é bem mais complexo: a realidade impôs de tal forma sua dinâmica que não é mais possível e nem interessante para o campo petista esconder que existe uma classe dominante e que ela não é de maneira alguma a “classe média”. A fábrica de ideologias continua, mas a esquerda socialista/comunista está melhor munida agora para combater as mitologias da direita e da “esquerda”.

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