Onde nascem os sonhos… Um fragmento de memória para o dia dxs professorxs


andes-dia-do-professorAula de manhã. Língua portuguesa, 7a série do ensino fundamental. Eu sentava na segunda fileira, na segunda cadeira. A professora Suzana Carbolin de frente para a turma, o sol batia direto na janela. O burburinho dxs colegas, aquela tranquilidade interiorana tão aconchegante…

Nossa sala era a última antes da biblioteca. Biblioteca na qual existia uma coleção de Jorge Amado, que por algum motivo ainda insondável para mim, não era possível retirar para leitura…

A aula começou com o “tema de casa”, que consistia na apresentação de um poema próprio. Escrevi sobre a esperança.

“A esperança está para nossa alma como o sangue está para o corpo, é o que nos mantêm vivos”

A professora foi muito generosa comigo, disse que era lindo e que eu deveria continuar escrevendo.

Na época eu não entendi claramente aquelas palavras de incentivo, mas fiquei profundamente sensibilizado. A força daquele olhar e aquela atitude expressavam um sentimento tão autêntico que era impossível ficar imune.

Usando uma metáfora musical, acho Jimi Hendrix (1) um guitarrista extraordinário, porque ele possuía uma técnica muito apurada, mas ela era apenas um veículo para expressar, para libertar emoções. Na arte (assim como na vida) a técnica é necessária, mas não basta. A arte e o conhecimento adquirem sua máxima expressão quando produzem emancipação humana.

Com essa memória estendo o reconhecimentos às professoras e professores a quem devo muito do pouco que consegui realizar até hoje.

Claro que existem exemplos a não serem seguidos, de arbitrariedades e outros tantos comportamentos inaceitáveis. Mas com certeza a solução dos problemas da educação não passa por “descartar a criança com a água do banho”.

Em tempos sombrios, onde se desenha uma ofensiva capitaneada pelo governo de turno e classes dominantes para destruir uma educação que ainda nem existe, a não ser como germe, felizmente há resistência e ela “pipoca” de várias formas. Só no Paraná, quase quinhentas escolas ocupadas por estudantes, tão jovens e já sabem que devem lutar pelo presente e pelo futuro!

Não resolveremos todos os problemas do mundo com educação, mas também não resolveremos sem uma educação emancipadora. Uma Educação Popular é parte integrante de um mundo novo e qualitativamente melhor do que este.

Eu aprendi cedo, felizmente, que a educação pode ser acéfala, mas também pode ser crítica. Pode ser autoritária, mas também pode ser emancipadora. Pode ser adestradora, mas também pode ser criativa. Pode ser binária, mas pode ser dialética. Pode ser destruidora, mas pode ser solo fértil para o nascimento de sonhos de um mundo melhor.

Aquele episódio me marcou profundamente. Naquele olhar entendi que um profundo comprometido com a emancipação, existe. A fagulha está por aí, renascendo todos os dias em todos em vários lugares, só precisa ser alimentada…


1. Jimi Hendrix dispensa apresentações. Gosto particularmente da guitarra desta música: “As Love”. Disponível em: <http://thefrump.typepad.com/my_weblog/files/13_bold_as_love.mp3&gt;.

Ilustração:
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