Discurso de Ivan Pinheiro no racha PCB-PPS


Atual secretário-geral do PCB, Ivan Pinheiro teve grande participação no processo de manutenção do Partido. Publicamos aqui a transcrição de seu discurso no plenário do “X Congresso Extraordinário”, organizado por aqueles que viriam a fundar o PPS.

Companheiros e companheiros,

Queremos começar dizendo que desde o início nós fomos contra a convocação desse congresso extraordinário, fomos contra no C.C. E fomos contra, em primeiro lugar, porque consideramos que esse congresso é um golpe ao nono congresso do PCB. É um golpe porque o nono congresso, realizado recentemente, decidiu que nova formação política, aliás, por proposta de Roberto Freire, não seria o fim do PCB. Seria uma aliança de partidos e que os partidos não perderiam a sua identidade. Disseram isso naquele congresso porque a correlação de forças não permitia, porque já queriam liquidar o PCB no nono congresso, mas não conseguiram.

Se aproveitaram das vicissitudes da construção do socialismo, se aproveitaram do golpe que houve na União Soviética para fazer a cara de pau em cima do PCB. Nnonon, deputado federal, disse na reunião do CC que o PCB era um cadáver insepulto, que já estava fedendo e que precisava ser enterrado. Nós discordamos disso.

Além do mais, nós somos contra esse congresso porque ele é um congresso espúrio. Nós não o reconhecemos. Esse congresso tem o nome de décimo congresso, envergonha os nove congressos que o Partido realizou até hoje, porque é um congresso que não tem sequer discussão política, não teve tribuna de debates e o congresso foi aberto aos não filiados. Nós queremos saudar aqui a presença dos não filiados, mas não com direito a voto. Alguns desses não filiados são filiados a outros partidos, isso não existe no mundo. Nenhum clube de futebol, nenhuma escola de samba, nenhuma associação permite que não filiados tenham voto. É como disse o companheiro Irum Santana: “é o mesmo que o companheiro Roberto Freire querer ser eleito síndico de um edifício e convidar os condôminos do outro edifício para vir votar no seu edifício”.

Nós queremos ser claros e transparentes, como temos sido desde o início dessa batalha, que não começou no nono congresso, essa batalha remonta a 1984, quando a maioria da direção desse partido resolveu optar pela CGT e não pela Central Única dos Trabalhadores. Nós queremos deixar com clareza aqui que nós estamos aqui em SP, simultaneamente, reunidos na conferência de reorganização do Partido Comunista Brasileiro. E queremos comunicar que a primeira reunião dessa conferência, com os mais de 500 companheiros que estão aqui presentes, decidiu por unanimidade que nós não vamos participar desse congresso, que não o reconhecemos. É um congresso espúrio, é um congresso manipulado, que não teve tribuna de debates.

Mas companheiros nós estamos saindo desse congresso espúrio, não estamos saindo do PCB, quem está saindo do PCB, quem está renegando as suas origens, quem está renegando a sua história, quem está renegando 1922 e principalmente negando 1917 são aqueles que estão aqui hoje não mudando de nome do PC, estão criando um partido novo e não dá para enrolar ninguém. O que é novo não existia, vocês não querem, a maioria do CC não está preocupada com o espólio político e histórico do partido, porque se tivesse não tinha entregado para o Roberto Marinho. Eles estão preocupados apenas em não ter o trabalho que nós vamos ter, de filiar nesse Brasil afora, comunistas que estavam no PCB e que não estavam no PCB, porque divergiam da sua conciliação. Eles querem apenas o cartório, querem apenas o espólio cartorial, estão fingindo que o partido continua, mas é um partido novo. Amanhã eles vão resolver aqui que nome vai ter esse partido novo.

Companheiros, nós registramos Partido Comunista no diário oficial e no cartório. E declaramos de público que aquilo é uma reserva diante das manipulações que aconteceram. Eu respeito todo o direito dos companheiros de criar um novo partido, eu só não posso entender, fico até preocupado, porque tentar inviabilizar que o PCB exista.

Se não fosse assim eles não teriam ido ao INPI registrar o partido e o símbolo, para que ninguém pudesse ressuscitar o PCB. Mas eles se enganaram, eles acharam que a gente ia fugir da luta, acharam que a gente não ia ter coragem de manter esse partido. E nós registramos o PC pra ser o PCB daqui a pouco. E deixamos consignado no estatuto, é bom os companheiros lerem, tem dois artigos, que dizem que o PC lutará para resgatar a tradição e a luta dos comunistas de 1922.

Companheiros, nós estamos comunicando aqui que vamos sair porque nós queremos acabar com esse baile de máscaras. As nossas divergências são inconciliáveis. As nossas divergências inconciliáveis. E os companheiros não estão liquidando o partido a partir da convocação do décimo congresso, estão liquidando o partido desde que chegaram do exílio e botaram esse partido para ser um instrumento de amaciamento da luta de classes. O nosso partido foi descaracterizado nessa última década pela política de conciliação, pela política direitista da maioria do CC. A cara que esse partido tem é a cara do Antônio Ermírio de Morais, é a cara do Moreira Franco, é a cara do Joaquinzão, é a cara que no plano Collor, que os companheiros foram para a televisão dizer que tem aspectos positivos e negativos. Num programa de televisão nenhum deles falou do governo Collor, porque eles estão a favor do pacto social.

Companheiros, nós chamam de conservadores, mas nós queremos mudar esse partido. A bandeira da mudança do partido está conosco, porque nós ficaremos nele. Vocês não vão mudar, vocês vão criar outro. Nós vamos mudar o partido para ele voltar a ser um partido revolucionário, um partido internacionalista.

Companheiros, nós chamam de ortodoxos. Se ser ortodoxo é acreditar na luta de classes e não na conciliação, nós somos ortodoxos. Se ser ortodoxo é continuar internacionalista e defender cuba socialista, nós somos ortodoxos. Se ser ortodoxo é lutar contra o rebaixamento da economia nacional e em defesa das empresas estatais, nós somos ortodoxos. Se ser ortodoxo é acreditar no ideário de Marx, Engels e Lênin, que não foram negados pela vida, mas que foram deturpados nos países socialistas, então nós somos ortodoxos. Se ser comunista é ser ortodoxo, eu sou ortodoxo, nós somos ortodoxos.

Companheiros, nós desejamos aos companheiros boa sorte e escolham um bonito nome entre aquelas várias opções que se lhes apresentam amanhã. Esperamos que tenham boa sorte e esperamos encontrá-los nas barricadas, nas lutas populares. Toda vez que o partido de vocês, que será social democrata, mas toda vez que ele estiver do lado do povo, nós vamos nos encontrar, nós não vamos nos encontrar em conchavo de cúpula, se vocês optarem pela luta dos interesses populares e da soberania nacional nós vamos nos encontrar na luta, no meio da rua, no piquete, e numa greve.

Companheiros, eu queria deixar uma saudação, eu não tenho tanto tempo de partido quanto Isnard Teixeira, quanto Ana Montenegro, quanto Paulo Cavalcanti, mas tenho algum. E, eu tenho que confessar, que é com emoção que eu saio daqui. Eu não estou saindo do PCB, porque brigamos até o fim e estamos fazendo uma conferência para mantê-lo. Nós vamos a uma nova fase, a uma nova vida, e vamos renovar revolucionariamente o nosso partido. Mas nós vivemos 15 anos, eu queria fazer um apelo, um apelo de consciência aos companheiros, aos amigos que eu fiz nesses 15 anos de militância no partido, muitos deles enganados, achando que estão trocando de nome do partido comunista, sem saber que estão acabando com o partido comunista. Companheiros, aqueles que fizerem autocrítica dessa liquidação, o PCB estará aberto mas não apenas para vocês, mas para todos os comunistas que no Brasil inteiro não entraram no PCB por sua conciliação. Agora seremos o espório dos comunistas brasileiros. Viva o PCB, viva o socialismo, viva o comunismo.

https://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=57


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