Violência e revolução proletária


“Nas revoluções burguesas o derramamento de sangue, o terror e o assassinato político eram uma arma indispensável nas mãos da classe ascendente. A revolução proletária não precisa de terror algum para realizar os seus fins: odeia e abomina o homicídio; não precisa desses meios de luta porque não combate contra o indivíduo, mas contra instituições, e porque não entra no campo de batalha munido de alguma ilusão ingênua cuja destruição teria de vingar sangrentamente aqueles que estertoraram. A revolução proletária não é a tentativa desesperada duma minoria tentar moldar o mundo à força de acordo com o seu devaneios idealistas, mas a ação da imensa massa popular insurreta, que está a ser chamada a cumprir a sua missão histórica: a de fazer uma realidade sua necessidade histórica. Mas, ao mesmo tempo, a revolução proletária é, também, o dobre de finados de toda servidão e de toda opressão; eis porque se erguem contra ela, numa luta de vida ou morte, todos os capitalistas, os latifundiários, os pequeno-burgueses, os oficiais, todos os aproveitadores e parasitas da exploração e da dominação de classe. É uma ilusão extravagante acreditar que os capitalistas hão de se render de bom grado ao veredito socialista de um parlamento ou de uma assembleia nacional e que hão renunciar tranquilamente à propriedade, ao lucro e aos privilégios da exploração. Todas as classes dominantes lutaram sempre até ao fim com a mais pertinaz energia por manter os seus privilégios; os patrícios romanos, assim como os barões feudais da Idade Média, os lordes ingleses, assim como os escravagistas norte-americanos, os boiardos valacos, assim como os fabricantes de seda de Lyon, todos eles derramaram rios de sangue para defender os seus privilégios de classe e o seu poder, pouco lhes importou caminhar sobre cadáveres, chegando até o assassinato e ao incêndio, até mesmo provocaram guerras civis ou traíram os seus países.” – (Rosa Luxemburgo, O que querem os Espartaquistas?)

https://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1918/12/14.html

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