ENMUP 2014: Em luta por uma universidade popular!

20/08/2014

Durante os dias 14 a 17 de agosto, em Fortaleza, ocorreu o Encontro Nacional de Movimentos em luta por uma Universidade Popular (Enmup), realizado no campus Itaperi da Universidade Estadual do Ceará – UECE. O encontro teve a presença de diversos setores dos movimentos sociais e estudantis, além ser organizado por mais de oitenta entidades, entre Centros Acadêmicos, DCEs e grupos de vários estados.

Com a proposta de discutir a Universidade Popular, o Enmup contou com palestrantes que trouxeram uma perspectiva da conjuntura atual dos movimentos sociais pós-jornadas de junho, onde estudantes e classe trabalhadora saiu às ruas. Nas mesas, estiveram representações de setores como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) e Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), além do candidato à deputado estadual pelo PSOL-CE Renato Roseno e o candidato à presidência da república pelo PCB Mauro Iasi.

Entre as pautas do Enmup, discutiu-se o financiamento da educação, defendendo a campanha dos 10% do PIB para a educação pública; a necessidade de pensar a educação no campo, em defesa de uma grade curricular que abrigue a extensão e pautada nos movimentos urbanos e do campo; além da necessidade de discutir as opressões na universidade, por serem alinhadas ao caráter elitista do modelo vigente de educação no país, fazendo-se necessário a luta contra o machismo, o racismo e a homofobia e todas as formas de opressão.

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Em defesa da universidade popular, voltada para classe trabalhadora, realizou-se um ato na comunidade da Serrinha, próxima ao campus da UECE, questionando o difícil acesso dos moradores à universidade, tanto de cursá-la quanto de transitar no espaço acadêmico, por seu viés burguês e academicista. O ato passou pelas ruas, distribuindo panfletos sobre o Movimento pela Universidade Popular aos moradores e puxando falas que tensionaram com a realidade do ensino superior e da criminalização das periferias.

Outros espaços trouxeram uma dinamicidade ao encontro, como as oficinas e os Grupos de Trabalho. No final encaminharam pontos de ações para o Movimento por uma Universidade Popular – MUP. Foi redigida também uma carta em defesa de uma Frente Nacional de Luta por uma Educação alinhada ao poder popular, com a criação de diversos núcleos do MUP por todo o país, convidando diversas entidades a construir a luta pela Universidade Popular. Entre os pontos definidos, defendeu-se a estatização sem indenização das faculdades particulares, alimentos dos Restaurantes Universitários vinculados à agricultura familiar, além de definir no calendário de lutas o mês de maio como o mês nacional da luta pela universidade popular e outubro como o mês da extensão popular. A próxima reunião nacional do MUP será no dia 20 de dezembro, em Goiânia.

Texto: Lima Júnior, membro do Coletivo Enecos Cariri e coordenador regional da NE3.

Fonte: http://enecos.com.br/enmup-2014-em-luta-por-uma-universidade-popular/


Mais informações sobre o ENMUP:

https://www.facebook.com/ENMUP2014

http://enmup2014.wordpress.com/

A morte é uma exagerada

As paixões como as revoluções são tentativas de rompermos as leis que nos condenam à mediocridade e à servidão. No fim estaremos todos mortos, o que conta é termos sidos capazes de um gesto livre.


A morte é uma exagerada
Nuno Ramos de Almeida – on 09/08/2014

BlakeTransformar o mundo e mudar de vida, como exigiam Marx e Rimbaud, parece muita vezes sem sentido. Mas, há algum sentido em estar parado? 

Crônica de Nuno Ramos de Almeida | Imagem: William Blake

Quando tinha sete anos descobri a morte. Percebi que havia uma espécie de parede inultrapassável e um tempo eterno sem nós. O céu e as nuvens que até ali me tinham parecido coloridos pareciam esmagar-me. Até o silêncio se tinha tornado ruidoso. O meu pai pegou em mim e explicou-me nessa noite as vantagens de se morrer e que nós tínhamos o nosso tempo de eternidade. Na nossa vida havia um pedaço de infinito em que todos os segundos contavam. Era a morte que nos dava a urgência e a necessidade de nos superarmos. A vida podia enganar o tempo, bastava dar-lhe sentido. Ironizava comigo se fosse possível congelar as pessoas, para lhes prolongar a vida quando a ciência tivesse mais desenvolvida, estaríamos a obrigar as pessoas do futuro a descongelar muita porcaria. Poucos meses depois, o meu pai esteve à beira da morte. Ia, com Lino de Carvalho ao volante, para um comício, vinham de várias diretas, e adormeceram. Esteve 15 dias em coma, lutando para viver. Sobreviveu com mazelas irrecuperáveis. Nunca aceitou as suas limitações. Tentou recuperar pela escrita e pelo trabalho aquilo que tinha perdido em capacidade. Continuar lendo