Introdução à crítica da razão chantagista

“Aí está o seu sórdido método: jogar com a fantasia alheia, fazer ao pombo crer que sempre poderá ter mais do que o farelo que ele lhe atira”.

A principal artimanha de todo chantagista é criar uma polarização com a qual ele pode ludibriar o seu interlocutor no sentido de obrigá-lo a ter que se posicionar no interior de uma falsa dicotomia, estruturada sobre a oposição “nós-eles”. O “eles” da oposição deve ser caprichosamente demonizado. É preciso que a pessoa sinta-se mal por acreditar se situar entre “eles”. Dessa forma, o chantagista pode enquadrar quem quer que seja. Com base nesse enquadramento, ele doutrina o próximo que julga estar “em disputa”. Ora, afinal de contas, as coisas todas, o mundo que se apresenta diante de nossos olhos, as diversas complexidades de que é constituído o real são claras e luminosamente simples: se não está conosco, está com o outro; se não é amigo, é inimigo; se não faz o “bem” – dentro da sua concepção tacanha e maníaca sobre o que é o “bem” -, faz o mal; e, com mil diabos, se não “ama”, então “odeia”… E assim sucessivamente. Continuar lendo

‘É impostura ideológica enxergar diferenças substantivas de projeto entre PT e PSDB’

metamorfoseValéria Nader e Gabriel Brito, da Redação

Correio da Cidadania

Mais de uma semana após o segundo turno, a poeira eleitoral começa a abaixar, mas os ânimos populares e o contexto político permanecem acirrados, neste que foi um dos mais tensos, disputados e divididos processos dos últimos anos. De volta à realidade, polêmicas e crises em diversas frentes são a nova tônica. Água, economia, mídia, reforma política e muitos outros assuntos seguem, inapelavelmente, na ordem do dia. Para tratar de um desses relevantes assuntos, o Correio da Cidadania entrevistou o economista Reinaldo Gonçalves, que foi implacável em sua análise das proposições econômicas dos candidatos. Continuar lendo