Por que não defendemos as Diretas Já?

Gabriel Landi*

O PCB está entre o reduzido número de organizações socialistas a não erguer a palavra de ordem por eleições gerais antecipadas – e, dentre estas, na ainda mais reduzida posição de quem não trata tal palavra de ordem com sectarismo, quase como que se fosse reacionária. Justamente rechaçando tal postura, muitas vezes não trava a polêmica mais abertamente, e se dispõe à mediação nas convocações unitárias. Resume sua posição nos seguintes termos:

“Além disso, de qualquer forma, não se pode desconhecer que há um clamor entre expressivos setores da sociedade e, especialmente, entre os companheiros da esquerda, pelas “eleições diretas já”, como saída para a crise. É compreensível a ansiedade e o desejo de se livrar do governo usurpador. Como lutadores históricos pela unidade popular, estaremos em todas as batalhas pelas mudanças no país e lutaremos ombro a ombro com os companheiros que defendem as “eleições diretas já”, a fim de mantermos a frente única contra Temer e as contrarreformas. Para os comunistas do PCB, não devemos alimentar mais ilusões com a democracia burguesa. A corrupção é endêmica ao capitalismo, e as eleições burguesas refletem a desigualdade econômica e social. Continuar lendo “Por que não defendemos as Diretas Já?”

Violência e revolução proletária

“Nas revoluções burguesas o derramamento de sangue, o terror e o assassinato político eram uma arma indispensável nas mãos da classe ascendente. A revolução proletária não precisa de terror algum para realizar os seus fins: odeia e abomina o homicídio; não precisa desses meios de luta porque não combate contra o indivíduo, mas contra instituições, e porque não entra no campo de batalha munido de alguma ilusão ingênua cuja destruição teria de vingar sangrentamente aqueles que estertoraram. A revolução proletária não é a tentativa desesperada duma minoria tentar moldar o mundo à força de acordo com o seu devaneios idealistas, mas a ação da imensa massa popular insurreta, que está a ser chamada a cumprir a sua missão histórica: a de fazer uma realidade sua necessidade histórica. Mas, ao mesmo tempo, a revolução proletária é, também, o dobre de finados de toda servidão e de toda opressão; eis porque se erguem contra ela, numa luta de vida ou morte, todos os capitalistas, os latifundiários, os pequeno-burgueses, os oficiais, todos os aproveitadores e parasitas da exploração e da dominação de classe. É uma ilusão extravagante acreditar que os capitalistas hão de se render de bom grado ao veredito socialista de um parlamento ou de uma assembleia nacional e que hão renunciar tranquilamente à propriedade, ao lucro e aos privilégios da exploração. Todas as classes dominantes lutaram sempre até ao fim com a mais pertinaz energia por manter os seus privilégios; os patrícios romanos, assim como os barões feudais da Idade Média, os lordes ingleses, assim como os escravagistas norte-americanos, os boiardos valacos, assim como os fabricantes de seda de Lyon, todos eles derramaram rios de sangue para defender os seus privilégios de classe e o seu poder, pouco lhes importou caminhar sobre cadáveres, chegando até o assassinato e ao incêndio, até mesmo provocaram guerras civis ou traíram os seus países.” – (Rosa Luxemburgo, O que querem os Espartaquistas?)

https://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1918/12/14.html

A CONTRARREFORMA TRABALHISTA: um retrocesso sem precedentes para os trabalhadores brasileiros

imagempor Messias Silva Manarim*

Infelizmente me dei ao trabalho de fazer uma análise do texto em discussão no Senado Federal, já aprovado na Câmara dos Deputados, da chamada Reforma Trabalhista. Digo infelizmente, pois pretenderia estar falando e escrevendo sobre a luta pela conquista de novos direitos, e não de uma pauta defensiva como a defesa dos direitos que temos.

Mas, como diz Marx, não fazemos a história nas condições que queremos, mas na que nos são impostas. Assim, apesar do lamento inicial, e sabendo da necessidade de estimular esse debate faremos uma análise mais detida dos diversos aspectos que estão relacionados nessa reforma.

Evidente que a flexibilização de direitos é um dos cernes da reforma, mas não fica limitada a isso, temos mudanças que estão relacionadas ao acesso a justiça trabalhista, a regulamentação de novos tipos de jornada de trabalho, alterações profundas nas condições de estabelecimentos de contrato de trabalho.

Primeira coisa a ressaltar está relacionada que de forma muito curiosa, com essa reforma nenhum direito foi melhorado, nenhum trâmite processual foi facilitado e veremos como mudanças simples afetam de forma substancial as condições de trabalho atual. Continuar lendo “A CONTRARREFORMA TRABALHISTA: um retrocesso sem precedentes para os trabalhadores brasileiros”